Tomar ibuprofeno de 600 mg em vez de 400 mg não traz alívio adicional relevante para dores leves ou moderadas, mas praticamente dobra o risco de efeitos colaterais.
A avaliação é do farmacêutico espanhol Mariano Giménez, que reforça um princípio já reconhecido pela farmacologia: o chamado “efeito teto” analgésico.

“Efeito teto” explica por que dose maior nem sempre alivia mais
Segundo esse conceito, existe um ponto a partir do qual aumentar a dose de um analgésico deixa de produzir mais alívio para a dor, mesmo que o risco de efeitos adversos continue subindo.
No caso do ibuprofeno, estudos comparativos mostram que 400 mg e 600 mg produzem efeito analgésico praticamente idêntico em quadros de dor leve a moderada, como dor de cabeça, dor dentária ou febre associada a resfriados comuns.
A percepção de que “mais remédio equivale a mais alívio” tende a ser, nesses casos, uma questão de expectativa do paciente, e não um efeito farmacológico real.
Na Espanha, essa diferença já tem respaldo regulatório: desde 2019, a Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS) exige receita médica para a venda de ibuprofeno na dosagem de 600 mg, justamente para conter o uso excessivo e desnecessário da versão mais forte.
A versão de 400 mg segue disponível sem prescrição no país. Especialistas também alertam contra partir um comprimido de 600 mg ao meio para tentar reproduzir a dose de 400 mg: além de o cálculo não ser exato, esse tipo de comprimido costuma ter uma camada de revestimento e um sistema de liberação pensados para a dosagem original, que se rompem ao ser dividido.
Dor persistente ou fatores de risco pedem avaliação médica
Giménez ressalta que a dose de 600 mg não deve ser usada como resposta automática sempre que surge uma dor mais intensa. Quando a dor persiste, se repete com frequência ou exige aumentar a medicação progressivamente, o recomendado é buscar orientação médica para investigar a causa, em vez de simplesmente elevar a dose por conta própria.
O cuidado deve ser redobrado em pessoas com doenças prévias, uso de outros medicamentos ou histórico de problemas digestivos, renais ou cardiovasculares, grupos nos quais o risco de efeitos adversos do ibuprofeno tende a ser maior.





