O brasileiro Carlos Brito ajudou a transformar a AB InBev na maior cervejaria do mundo, e quando deixou a empresa, em 2021, passou a comandar uma empresa de para-brisas que vale R$ 40 bilhões
A companhia Belron, do Reino Unido, é especializado em reparo e substituição de vidros automotivos, e faturou US$ 7,8 bilhões ao prestar serviços para mais de 17 milhões de veículos no mundo.
Seus para-brisas deixaram de ser simples vidros e passaram a incorporar câmeras e sistemas de segurança.
O brasileiro que criou a maior cervejaria do mundo largou tudo para comandar uma empresa de para-brisas que vale R$ 40 bilhões
Uma oferta pública inicial de ações está entre os planos da Belron e pode ocorrer já no próximo ano.
A empresa busca uma avaliação superior a 30 bilhões de euros, segundo a Bloomberg.
Antes de conhecer melhor o setor, o executivo Carlos Brito enxergava o para-brisa como algo simples: um pedaço de vidro que se troca quando quebra.
Essa visão mudou depois que ele conheceu de perto a engenharia por trás do produto.
Câmeras, filamentos de aquecimento e revestimentos especiais fazem parte dos para-brisas modernos, que deixaram de ser peças simples de vidro.
Trocar um desses componentes muitas vezes exige recalibrar sistemas de segurança, como frenagem automática, airbags e mecanismos que evitam a saída da faixa.
A eletrificação dos automóveis trouxe outra camada de complexidade ao negócio. Por pesar menos que o metal, o vidro passou a ocupar espaços maiores nos veículos.
Essa tendência é visível em modelos que combinam grandes painéis frontais com tetos revestidos por produtos resistentes ao calor, pensados para reduzir o uso do ar-condicionado.
No leste da Bélgica, a substituição do para-brisa de um BMW exige 30 etapas até o carro sair pronto.
O processo inclui a retirada do vidro danificado, a limpeza da área, a instalação da nova peça e o ajuste do software do veículo.
Essas etapas mostram como o trabalho se tornou técnico em um setor antes visto como simples.
Da cerveja aos vidros automotivos
Carlos Brito esteve à frente da consolidação de centenas de marcas que deram origem à atual AB InBev, responsável hoje por mais de um quarto do mercado global do setor.
A trajetória inclui duas aquisições de peso: a Anheuser-Busch, dona da Budweiser, por US$ 52 bilhões em 2008, e a SABMiller, incorporada em 2016.
O apetite por fusões e aquisições também rendeu processos judiciais e questionamentos sobre as estratégias adotadas pela gestão.
A saída da cervejaria, em 2021, não encerrou a carreira corporativa do executivo. Dois anos depois, ele assumiu o comando de um setor diferente.
A experiência acumulada em décadas de consolidação de marcas pode ser aplicada a mercados distintos daquele em que foi construída.





