O que de fato faz uma pessoa conseguir viver até os 100 anos? Essa é uma pergunta que vem sendo feita há muitos anos e que continua sem uma resposta definitiva. No entanto, um veterano que completou um século de vida em março de 2026 pode ter revelado o segredo para tal feito ao conceder uma entrevista ao jornal americano Daily Herald.
Tony Vieceli, morador de Mount Prospect, no estado de Illinois, nos Estados Unidos, chegou aos 100 anos depois de atravessar acontecimentos marcantes do século 20, incluindo a Segunda Guerra Mundial. Ao falar sobre a própria longevidade, ele apontou dois hábitos que fizeram parte de sua rotina durante décadas: jogar tênis de mesa e consumir vinho tinto.
O esporte que fez parte da rotina
Vieceli começou a praticar tênis de mesa depois dos 70 anos. A atividade acabou se tornando uma parte importante de sua rotina e não estava relacionada apenas à prática de exercícios físicos.
O veterano frequentava centros destinados a pessoas idosas e aproveitava as partidas para manter contato com outros praticantes. Dessa forma, o esporte também funcionava como uma maneira de preservar sua vida social e manter uma rotina de atividades.
Ele continuou jogando até aproximadamente três anos antes de completar 100 anos. Uma queda durante uma partida provocou problemas de equilíbrio e fez com que precisasse abandonar o esporte.
Mesmo depois de parar de jogar, os vínculos construídos ao longo dos anos permaneceram. Cerca de 30 amigos que conheceu por meio do tênis de mesa participaram da comemoração de seu centésimo aniversário.
A experiência ajuda a entender por que o esporte ocupou um papel tão importante na vida do veterano. Além de exigir movimentação corporal, o tênis de mesa envolve coordenação motora, atenção e interação com outras pessoas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prática regular de atividade física entre idosos está relacionada à manutenção da capacidade funcional, à saúde cardiovascular e à preservação da saúde mental e cognitiva. O exercício também pode contribuir para a redução do risco de quedas e da perda de independência.
O segundo hábito envolve vinho tinto
O outro comportamento citado por Vieceli é o consumo de vinho tinto. Segundo o veterano, beber duas taças fazia parte de sua rotina e também está entre os hábitos que ele associa à própria longevidade.
Esse ponto, porém, precisa ser analisado com cautela. O relato de uma pessoa que chegou aos 100 anos não significa que o vinho seja responsável pelo resultado ou que seu consumo possa ser considerado uma estratégia para aumentar a expectativa de vida.
A ciência não recomenda começar a consumir bebidas alcoólicas com o objetivo de obter benefícios para a saúde. A Organização Mundial da Saúde destaca que o consumo de álcool está associado a diferentes riscos e que reduzir sua ingestão pode trazer benefícios à saúde. Ou seja, o vinho aparece na história como um hábito pessoal de Vieceli, mas não como uma fórmula comprovada para viver mais.
Uma vida marcada por diferentes atividades
A trajetória do veterano também ajuda a explicar por que ele relaciona a longevidade a uma vida ativa. Vieceli foi convocado para servir durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944. Depois de passar pelo treinamento no Texas, ele foi enviado às Filipinas, onde trabalhou em um navio-tanque de petróleo e também participou da equipe responsável pelo armamento da embarcação.
Após o fim do conflito, sua vida profissional seguiu por outros caminhos. Ele trabalhou como marceneiro e posteriormente na empresa de construção Pepper Construction. O trabalho com madeira também esteve ligado à família. Sua filha, Jackie, nasceu cega e, durante a infância, o pai utilizava peças de madeira para ajudá-la a compreender conceitos de geometria.
Vieceli também construiu uma estrutura para ajudá-la em um período em que ela enfrentava dificuldades para andar. Jackie posteriormente conquistou um doutorado e dois mestrados e tornou-se professora de ciência política.
Esses episódios mostram que a ideia de permanecer ativo esteve presente em diferentes fases da vida do veterano. O tênis de mesa foi apenas uma das atividades que ocuparam sua rotina.
O que a ciência aponta sobre a longevidade
Embora a história de Vieceli não permita determinar quais fatores fizeram com que ele chegasse aos 100 anos, alguns aspectos de sua rotina estão alinhados com o que pesquisadores e instituições de saúde consideram importante para um envelhecimento saudável.
A atividade física é um dos principais exemplos. Para a OMS, envelhecer de maneira saudável não significa simplesmente não apresentar doenças. O conceito também envolve preservar a capacidade de realizar atividades do cotidiano, manter a mobilidade e conservar a independência pelo maior tempo possível.
A interação social também possui papel relevante. Manter relações com outras pessoas pode contribuir para a saúde física e mental, enquanto o isolamento social e a solidão estão associados a efeitos negativos sobre a qualidade de vida.
É nesse ponto que o hábito de jogar tênis de mesa ganha uma importância maior na história de Vieceli. A atividade reunia movimento, estímulo mental e convivência social. Mesmo depois de abandonar as partidas, ele continuou mantendo contato com pessoas que conheceu nesse ambiente.





