A Uber vai cortar 3,3 mil postos de trabalho corporativos, cerca de 10% do quadro global de funcionários da empresa. É o maior corte de pessoal promovido pela companhia desde maio de 2020, quando a pandemia levou a Uber a demitir 6,7 mil pessoas de uma só vez.
CEO da empresa, Dara Khosrowshahi informou a decisão nesta quarta-feira (2) por meio de um e-mail interno enviado aos próprios funcionários. O conteúdo da mensagem foi obtido pela Bloomberg News antes de qualquer comunicado oficial da Uber à imprensa.
Os cortes não atingem motoristas nem entregadores cadastrados na plataforma: a Uber classifica esses profissionais como trabalhadores independentes, fora do quadro formal de empregados afetado pela reestruturação.
A empresa fechou 2025 com cerca de 34 mil funcionários no mundo; depois dos cortes, esse número deve cair para pouco menos de 30 mil, patamar próximo ao registrado em 2021.
Estrutura mais enxuta busca acelerar decisões internas
Segundo o e-mail de Khosrowshahi, os anos de crescimento acelerado deixaram a estrutura da empresa mais complexa, com camadas hierárquicas em excesso e equipes pequenas demais, o que passou a travar a velocidade das decisões internas.
Como parte da reorganização, a Uber vai reduzir em 20% o número de funcionários posicionados sete ou mais níveis abaixo do próprio CEO, cortar pela metade as equipes formadas por apenas uma ou duas pessoas, e fundir departamentos que hoje operam separados, caso das equipes responsáveis por restaurantes, varejo e o serviço próprio de entregas.
A empresa também vai limitar o trabalho totalmente remoto a cerca de 1% do quadro, mantendo a exigência de três dias presenciais por semana e concentrando parte das equipes em escritórios de Nova York e São Francisco.
Corrida por robotáxis pressiona modelo de negócio tradicional
O momento da reestruturação não é repentino, afinal, a Uber vê o avanço de rivais como Waymo e Tesla no mercado de robotáxis como ameaça direta ao modelo de transporte baseado em motoristas humanos, hoje o principal negócio da empresa.
Segundo Adam Ballantyne, analista da Cambiar Investors, acionista da companhia, escalar operações de veículos autônomos exige um perfil de funcionário diferente do necessário para administrar uma frota de motoristas e toda a estrutura de custos associada a esse modelo.





