O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial segue se intensificando, e os principais institutos de meteorologia do mundo já atualizaram a previsão sobre quando o fenômeno deve atingir sua força máxima: entre outubro e dezembro de 2026, no início da primavera e do verão do Hemisfério Sul.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) calcula mais de 90% de probabilidade de o evento alcançar a classificação de “muito forte”. O chamado índice Niño 3.4, principal referência usada para monitorar o fenômeno, registrou anomalia média de 1,5°C entre maio e julho deste ano; em julho, isoladamente, o valor já havia chegado a 2°C acima da média histórica.

Entre o fim de julho e meados de agosto, as medições semanais oscilaram entre 2,2°C e 2,6°C acima do normal, e o aquecimento aparece também em camadas mais profundas do oceano, com anomalias que passaram de 8°C acima da média em algumas áreas monitoradas em julho e no início de agosto.
Um evento passa a ser tratado como Super El Niño quando a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial ultrapassa 2°C acima da média histórica, patamar já superado nas últimas semanas. Segundo a própria OMM, os efeitos do fenômeno tendem a se estender ao longo de 2027, mesmo depois de o El Niño começar a perder força gradualmente após o pico.

Observatório da Terra da NASA/Lauren Dauphin
Paraná já registrou recordes de chuva antes mesmo da primavera
No Paraná, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Estado (Simepar) já vinha monitorando os primeiros efeitos do fenômeno desde antes da chegada oficial da estação mais chuvosa.
Em junho e julho, mais de 40 estações meteorológicas registraram volumes de chuva muito acima da média histórica, com recordes pluviométricos batidos em cidades como Palmas, Foz do Iguaçu, Cianorte e Ubiratã.
O excesso de umidade no solo, porém, preocupa o setor agrícola: segundo o Simepar, solo constantemente encharcado dificulta etapas de plantio e colheita, favorece a proliferação de doenças fúngicas nas lavouras e acelera processos de erosão.
O órgão reforça que o El Niño não determina, sozinho, quando e onde cada tempestade específica vai ocorrer, o que torna essencial o acompanhamento diário das previsões de curto prazo tanto pela população quanto pelo setor produtivo.





