A reciclagem é algo muito útil para transformar materiais descartados em novos produtos ou matérias-primas. Diante disso, Cindy Mora Abarca, moradora de Alajuelita, na Costa Rica, resolveu fazer uma grande inavação e fazer do plático reciclado um série de blocos para construir uma casa em poucos dias.
De acordo com informações da CNN Brasil Curiosidades, a solução foi aplicada na própria residência da costarriquenha e utilizou aproximadamente 7 toneladas de plástico reciclado. Em vez de depender exclusivamente da alvenaria tradicional, o projeto empregou peças modulares produzidas com resíduos plásticos, criando uma alternativa capaz de acelerar uma etapa importante da construção.
Como o plástico virou material de construção
O sistema utilizado na residência é chamado de Bloqueplas. A tecnologia transforma resíduos plásticos em blocos moldados que podem ser unidos durante a montagem das paredes.
O diferencial está no formato das peças. Elas foram desenvolvidas para se encaixar umas nas outras, o que simplifica a montagem e reduz a necessidade de utilizar métodos tradicionais de assentamento. Então, o sistema funciona de maneira modular: os componentes são posicionados e conectados para formar a estrutura das paredes.
Isso muda principalmente a dinâmica da obra. Em uma construção convencional, a execução das paredes envolve etapas sucessivas, como preparação da argamassa, posicionamento dos tijolos ou blocos e posterior acabamento. Com peças pré-fabricadas e encaixáveis, parte desse trabalho pode ser simplificada e concentrada na montagem.
Foi essa característica que permitiu que a residência de Cindy tivesse suas paredes levantadas rapidamente, com a estrutura principal sendo montada em aproximadamente dois dias.
Por que a construção foi importante para Cindy
A residência surgiu depois de Cindy entrar em um projeto habitacional que utilizou os blocos de plástico reciclado. A iniciativa reuniu empresas, organizações sociais e voluntários para viabilizar a construção da casa. Entre os participantes estavam a Procter & Gamble, a Habitat for Humanity Costa Rica, a Urbarium e a Ekojunto.
O terreno já pertencia à família, mas faltavam recursos para transformar o local em uma residência. A parceria permitiu que Cindy e seu filho Fabrizio passassem a utilizar o imóvel como moradia.
O problema do plástico na Costa Rica
A escolha do plástico como matéria-prima também está relacionada a um problema ambiental relevante no país. Segundo dados citados pela CNN Brasil a partir do Ministério da Saúde da Costa Rica, o país descarta aproximadamente 564 toneladas de plástico por dia. Desse total, apenas cerca de 14 toneladas são recicladas, enquanto outras 522 toneladas seguem para aterros e lixões. As 42 toneladas restantes acabam em locais como ruas, rios e mares.
Os números mostram por que transformar resíduos em produtos de maior duração pode ter uma função além da reciclagem convencional. Quando o material é incorporado a um produto que permanecerá em uso durante anos, o plástico deixa de ser apenas um resíduo a ser encaminhado para descarte e passa a funcionar como matéria-prima. No caso da casa de Cindy, esse conceito foi levado para a construção civil.
Uma construção que começou em 2018
Apesar de a história ter voltado a chamar atenção recentemente, a casa de Cindy foi construída em 2018. A obra começou em 23 de abril daquele ano e tinha inauguração inicialmente prevista para 26 de maio. A entrega, porém, aconteceu pouco mais de um mês depois do cronograma inicial.
O projeto se tornou um exemplo de como materiais reciclados podem ser incorporados a iniciativas de habitação. A combinação entre blocos pré-fabricados e encaixáveis, reaproveitamento de plástico e participação de organizações permitiu transformar um terreno que ainda não tinha condições de receber uma casa em uma residência.





