O fim da vida humana na Terra pode já ter uma data definida. Isso porque, por meio de um estudo, cientistas descobriram quando o oxigênio deverá desaparecer do nosso planeta. Com a falta desse elemento químico, viver se torna algo impossível.
Especialistas estimam que a atmosfera rica em oxigênio da Terra deverá durar pouco mais de 1 bilhão de anos. A conclusão foi obtida a partir de simulações que consideraram mudanças na atmosfera, no clima, na atividade biológica e na evolução do próprio planeta.
O estudo foi publicado na revista científica Nature Geoscience e reuniu pesquisadores da Universidade de Toho, no Japão, e do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos. O cálculo aponta que a perda de oxigênio não aconteceria de maneira lenta e constante durante todo esse período. Depois que determinadas condições forem atingidas, a alteração da atmosfera deverá ocorrer de forma relativamente rápida.
O Sol será um dos responsáveis pela mudança
Para entender por que isso vai acontecer, é necessário considerar que o Sol não permanece exatamente igual ao longo da história do Sistema Solar. Conforme envelhece, a estrela aumenta gradualmente sua luminosidade. Isso significa que a Terra receberá cada vez mais energia solar no futuro.
Esse aumento terá consequências para o equilíbrio químico do planeta. Um dos principais efeitos será uma mudança no ciclo que controla a quantidade de carbono presente na atmosfera.
O dióxido de carbono, conhecido pela fórmula CO₂, é essencial para a fotossíntese. Plantas, algas e outros organismos fotossintéticos utilizam esse gás para produzir matéria orgânica a partir da energia da luz. Como consequência desse processo, o oxigênio é liberado para a atmosfera.
O problema é que a maior luminosidade do Sol deverá acelerar processos geológicos que retiram CO₂ da atmosfera. Com menos dióxido de carbono disponível, os organismos responsáveis pela fotossíntese terão cada vez mais dificuldade para se manter.
Dessa forma, a redução do oxigênio não será o primeiro acontecimento da cadeia. O processo começa com uma alteração na disponibilidade de CO₂, passa pelo enfraquecimento da fotossíntese e chega, posteriormente, à queda da concentração de oxigênio.
A fotossíntese será o ponto central da transformação
Atualmente, a atmosfera terrestre possui aproximadamente 21% de oxigênio. Essa concentração é resultado de bilhões de anos de atividade biológica, principalmente de organismos capazes de realizar fotossíntese.
Isso cria uma relação direta entre a existência desses seres vivos e a composição do ar. Enquanto plantas e outros organismos fotossintéticos conseguem utilizar o CO₂ disponível, eles ajudam a manter a produção de oxigênio. Se essa capacidade for comprometida, a reposição do gás também diminui.
É justamente esse mecanismo que deverá provocar a transformação prevista pelos pesquisadores.
Com o avanço da redução do CO₂, a vegetação e outros organismos fotossintéticos deixarão de conseguir sustentar a produção atual de oxigênio. A concentração do gás começará então a cair, criando condições cada vez menos favoráveis para os organismos que dependem dele.
O resultado será uma espécie de efeito em cadeia. Menos CO₂ significa menos fotossíntese; menos fotossíntese significa menor produção de oxigênio; e menos oxigênio torna o ambiente incompatível com uma parcela cada vez maior da vida existente atualmente.
Nem toda forma de vida desapareceria
Apesar do impacto sobre animais, plantas e outros organismos que dependem de oxigênio, o estudo não aponta necessariamente para uma Terra completamente sem vida.
Existem organismos anaeróbicos, capazes de sobreviver e obter energia sem utilizar oxigênio da mesma maneira que os seres aeróbicos. Esse tipo de metabolismo foi particularmente importante em períodos antigos da história do planeta, quando a atmosfera terrestre apresentava concentrações muito menores de O₂.
Com a grande desoxigenação prevista para o futuro, a composição atmosférica poderia voltar a apresentar características semelhantes às encontradas em fases primitivas da Terra.
Ou seja, o planeta continuaria existindo e algumas formas simples de vida poderiam permanecer, mas a diversidade biológica conhecida atualmente seria profundamente reduzida.
Quando isso deve acontecer
As simulações realizadas pelos pesquisadores apontam para aproximadamente 1,08 bilhão de anos como a estimativa média para o desaparecimento da atmosfera rica em oxigênio.
O estudo utilizou centenas de milhares de simulações para avaliar como as características físicas, químicas e biológicas da Terra poderiam evoluir. A previsão encontrada coloca o fim da atual atmosfera oxigenada muito antes do momento em que o aquecimento extremo levaria à perda dos oceanos.





