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Ele ficou congelado por 24 mil anos e voltou a se reproduzir após ser descongelado

Por Jeferson da Rosa
09/09/2026
Ficou congelado mil voltou reproduzir

Ele ficou congelado por 24 mil anos e voltou a se reproduzir após ser descongelado - Imagem: Pixabay

Cientistas descongelaram um rotífero preservado no permafrost da Sibéria, e o organismo retomou a atividade após permanecer imóvel por 24 mil anos. 

O microscópico animal não apenas recuperou suas funções biológicas, como também gerou descendentes viáveis. 

O caso mostra a capacidade de alguns seres de sobreviver a condições extremas.

Ele ficou congelado por 24 mil anos e voltou a se reproduzir após ser descongelado

O rotífero estava enterrado em sedimentos antigos do solo permanentemente congelado e permanecia inativo desde a Era do Gelo, muito antes do primeiro plantio agrícola humano. 

Sua recuperação em laboratório oferece pistas sobre como organismos resistem a períodos prolongados de congelamento e pode contribuir para novas aplicações na ciência e na medicina.

O rotífero sobreviveu graças à criptobiose, um mecanismo que lhe permitiu reduzir drasticamente a atividade metabólica diante do frio extremo. 

Nesse estado, o metabolismo é interrompido, a quantidade de água nas células diminui e processos como crescimento, desenvolvimento e reprodução também param.

A criptobiose difere do sono e da hibernação: é um estado de suspensão tão profundo que as funções biológicas chegam a níveis quase imperceptíveis. 

Quando as condições externas melhoram, o organismo retoma as funções vitais e volta à atividade normal.

Após o descongelamento controlado em laboratório, o rotífero recuperou suas capacidades metabólicas e se reproduziu por partenogênese, processo em que a fêmea produz descendentes sem fecundação. 

Os filhotes nasceram viáveis, indicando que o longo congelamento não causou danos irreversíveis ao material genético do animal.

A reprodução bem-sucedida mostra que o organismo não apenas sobreviveu ao congelamento: manteve a capacidade de gerar descendentes. 

O achado abre perspectivas para estudos de criopreservação e conservação de materiais biológicos.

Aplicações futuras em medicina e conservação

Os mecanismos que permitem a organismos como este rotífero resistir a temperaturas extremas interessam à pesquisa de criopreservação, técnica usada para preservar células, tecidos e órgãos. 

Compreender como esse animal mantém sua integridade durante o congelamento pode melhorar a forma como a medicina preserva materiais para transplantes e pesquisas.

Os cientistas ainda têm perguntas sem resposta sobre quais processos celulares exatos permitem tanta resistência ao frio prolongado. 

Desvendar esses segredos pode oferecer ferramentas novas para proteger materiais biológicos e até ampliar o tempo de preservação de órgãos e tecidos humanos.

A descoberta também chama atenção para o impacto ambiental do aquecimento global, que está derretendo o permafrost siberiano e expondo ao ambiente atual sedimentos e organismos preservados há milhares de anos. 

À medida que o gelo desaparece, camadas antigas do solo ficam visíveis novamente, liberando material biológico que esteve isolado desde a Era do Gelo.

Pesquisadores acompanham as transformações do permafrost e os organismos encontrados nessas camadas para compreender a história preservada no solo e os possíveis efeitos ambientais do descongelamento.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão.

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