O ator Tony Ramos, de 78 anos, confirmou nesta semana, em entrevista ao programa Conversa com Bial, que é aposentado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), benefício que recebe após 37 anos e cinco meses de contribuição.
A revelação do ator, no entanto, não veio acompanhada de um anúncio de despedida dos palcos. Muito pelo contrário: Ramos garantiu que não pretende abandonar a atuação, apenas “diminuir o ritmo” após o fim da novela Quem Ama Cuida, da Globo.
“Esse negócio de parar de trabalhar… Eu vou diminuir o ritmo. Isso chama-se prazer, vontade”, declarou o ator, que está em seu 57º papel em telenovelas.
Otoniel, o “mais obsessivo” da carreira
Em Quem Ama Cuida, Tony Ramos interpreta Otoniel, um viúvo aposentado que perdeu a casa numa enchente e passou a trabalhar numa banca de flores à frente de um cemitério. O personagem é marcado pela devoção à família, pela fé religiosa e por uma intolerância que o torna, nas palavras do próprio ator, “o mais obsessivo que já fiz na televisão”.
Otoniel é rude, ranzinza e intolerante com o neto gay, Mau Mau, o que, segundo Ramos, o afasta de qualquer maniqueísmo. “Otoniel, muitas vezes, impõe a própria verdade. Não tem nada a ver comigo”, afirmou.
O ator comparou o papel ao que fez em Pai Herói (1979), destacando que “a questão do senso de ética e família não mudou” em quase cinco décadas de carreira.
“Estrela operária”
Durante a entrevista, a apresentadora Betty Faria definiu Tony Ramos como uma “estrela operária”, referência à rotina intensa que mantém mesmo após uma cirurgia recente. A expressão resume, talvez melhor do que qualquer discurso, a relação do ator com o trabalho: não é obrigação e nem teimosia.
A aposentadoria pelo INSS, nesse contexto, não é um ponto final. É, nas palavras dele, apenas um mérito que ele já conquistou e segue exercendo o ofício que escolheu.





