Folhas secas reunidas e mantidas úmidas se transformam aos poucos em um condicionador natural que melhora a estrutura da terra dos canteiros, sem virar trabalho extra de limpeza no outono.
O processo é bem diferente da compostagem comum, que depende do calor gerado por bactérias para acelerar a decomposição. Nesse processo, fungos especializados fazem o trabalho lentamente, sem necessidade de temperatura elevada ou de revirar o material com frequência.
O que torna esse material tão útil
Depois da decomposição completa, surge uma substância escura, leve e porosa. Em terrenos compactados ou excessivamente arenosos, esse insumo funciona como regenerador físico e solta a estrutura do solo aos poucos.
Incorporado à terra, o composto amplia a capacidade das raízes de absorver água e nutrientes. Canteiros que recebem essa camada tendem a reter umidade por mais tempo, mesmo em períodos secos.
Microrganismos que não precisam de calor intenso digerem aos poucos as fibras vegetais resistentes. Para isso, basta haver ar circulando entre as camadas de folhas.
Esperar a transformação completa pode levar até dois anos quando as folhas ficam inteiras. Picar o material antes de guardá-lo reduz esse prazo, porque fragmentos menores se decompõem com mais facilidade.
Fungos param de agir quando a massa de folhas seca demais, e a decomposição não acontece. Por isso, umedecer a pilha regularmente mantém o processo em andamento.
Água em excesso, por outro lado, compacta o monte e provoca cheiro ruim por falta de ar entre as folhas. A textura ideal lembra uma esponja bem torcida: úmida ao toque, mas sem soltar líquido quando apertada.
Onde guardar as folhas recolhidas
Um cercado de tela de arame sustentado por estacas de madeira, montado num canto sombreado do quintal, deixa o ar e a chuva circularem livremente pelo monte de folhas. A ventilação constante evita que as folhas apodreçam em vez de se decompor.
Quem tem pouco espaço disponível pode optar por sacos plásticos perfurados, que seguram o calor e a umidade internos de forma parecida. Fazer furos suficientes nas laterais garante a troca de ar necessária para os fungos trabalharem.
Antes de ensacar, convém separar galhos grossos e detritos pontiagudos que possam danificar o material.
Depois de pronto, esse composto escuro pode virar cobertura protetora espalhada sobre os canteiros, reduzindo a perda de água do solo exposto ao sol.





