Uma empresa de segurança americana desenvolveu, com auxílio de inteligência artificial, um tipo de vírus capaz de invadir celulares sem que a vítima precise clicar em link, abrir arquivo ou tomar qualquer outra ação.
O único contato necessário é uma ligação via WeChat, o grande aplicativo de mensagens da China, com 1,4 bilhão de usuários ativos por mês.
Como o ataque funciona
A empresa responsável pelo experimento é a Calif, e o vírus, chamado WeWorm, explorou uma falha de corrupção de memória na pilha de voz sobre IP do WeChat, a parte do aplicativo que processa chamadas de áudio.
Para comprometer a conta da vítima, basta que o celular receba a ligação. Aceitar ou não a chamada não muda o resultado: apenas recusar a ligação nos primeiros segundos evitaria o ataque, segundo a Calif.
Depois de assumir a conta, o vírus envia chamadas para os contatos salvos e repete o processo, espalhando a infecção de telefone em telefone de forma automática. Com acesso à conta, o invasor conseguia ler e enviar mensagens, fazer chamadas e agir no lugar da vítima.
Combinado com outras vulnerabilidades que a própria Calif também reportou à Tencent, o ataque poderia levar ao controle completo do aparelho.
A IA acelerou o trabalho
Os pesquisadores da Calif afirmaram ter combinado modelos de IA de código aberto com sistemas comerciais avançados para encontrar a vulnerabilidade e criar um primeiro exploit funcional em cerca de dois dias.
A construção completa do worm levou mais uma semana. A empresa não revelou quais modelos foram usados, mas destacou que a IA não fez o trabalho sozinha: a experiência humana dos pesquisadores foi necessária em todas as etapas.
Vinh Nguyen, ex-cientista-chefe de dados da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), afirmou ao New York Times que o worm poderia ter atingido centenas de milhões de dispositivos em poucas horas se tivesse sido usado de forma maliciosa.
Sam Altman, CEO da OpenAI, também comentou o episódio em reunião com outros líderes de IA, alertando que “algumas coisas vão dar muito errado com a cibersegurança” sem ação urgente por parte do setor.
A falha já foi corrigida
A Calif relatou a vulnerabilidade à Tencent antes de publicar os resultados. A empresa dona do WeChat confirmou a falha, publicou atualizações que corrigiram o problema ainda em agosto e informou que não há evidências de que usuários reais tenham sido afetados. Segundo a Tencent, a correção foi aplicada no servidor, sem necessidade de atualização manual do aplicativo por parte dos usuários.





