Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) encontraram parasitas em 96% de 53 exemplares de bonito-listado analisados.
O estudo, publicado na revista Ocean and Coastal Research, identificou cerca de 1.600 organismos parasitários nos peixes, capturados entre 2019 e 2021 em áreas do Atlântico Sul que incluíram a região do Rio da Prata, a plataforma continental argentina e águas próximas às Ilhas Malvinas.
O que o número de 96% realmente significa
O resultado não indica que todo atum vendido no Brasil esteja parasitado, nem que a maioria dos pratos de comida japonesa represente risco imediato ao consumidor. O estudo analisou uma amostra específica de 53 peixes de uma única espécie, capturados em regiões delimitadas e num intervalo de tempo definido.
Extrapolar esse número para toda a produção nacional exigiria pesquisas com amostras muito maiores e de origens diversas.Após a captura, os exemplares foram congelados e enviados ao Laboratório de Sanidade de Organismos Aquáticos da UFSC, em Florianópolis.
A maior concentração de parasitas ficou no intestino, com 596 organismos. Outros 441 estavam no músculo e 408 no estômago. O dado sobre o tecido muscular chama atenção porque corresponde à parte do peixe que vai ao prato: 58,5% dos exemplares apresentaram parasitas nessa região.
Os parasitas encontrados e quais representam risco
Os pesquisadores identificaram organismos dos gêneros Anisakis e Rhadinorhynchus, além de vermes da ordem Trypanorhyncha. A presença de parasitas num peixe não significa que todos eles sejam capazes de infectar seres humanos: diferentes espécies têm ciclos biológicos distintos e apresentam riscos diferentes.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), os sintomas incluem dor abdominal forte, náusea, vômito e diarreia. Em alguns casos, ocorrem reações alérgicas que podem persistir mesmo depois de o parasita ser eliminado, já que certas proteínas do Anisakis resistem ao calor e ao frio.
O Rhadinorhynchus encontrado no estudo não foi apontado pelos autores como zoonótico.
Como reduzir o risco
O congelamento profissional, realizado dentro de protocolos rigorosos de temperatura e tempo, é uma das estratégias mais eficazes para controlar parasitas em pescado destinado ao consumo cru. Ele difere do congelamento doméstico, que raramente atinge as condições necessárias.
O cozimento adequado, com o peixe atingindo 63°C no centro, também elimina as larvas. Ingredientes ácidos como limão e vinagre, usados em ceviches e marinadas, alteram a textura do peixe, mas não substituem os tratamentos indicados para controle de parasitas.
A pesquisa reforça a importância de escolher estabelecimentos confiáveis que sigam boas práticas de manipulação e conservação, com evisceração rápida e cadeia de frio adequada. O estudo não recomenda que as pessoas parem de comer atum ou comida japonesa: indica que o controle precisa começar muito antes de o peixe chegar ao prato.
Em caso de sintomas após o consumo de peixe cru, a recomendação é buscar atendimento médico e informar sobre o que foi ingerido.





