A Amazon enfrenta uma ação coletiva nacional movida por quatro ex-funcionárias de armazéns que afirmam ter sido impedidas de se sentar, de usar o banheiro e de reduzir a carga de trabalho durante a gravidez, e demitidas quando esgotaram o saldo de folgas não remuneradas.
A petição, apresentada em 8 de setembro no Tribunal Distrital Federal do Leste de Nova York, acusa a gigante do comércio eletrônico de violar o Pregnant Workers Fairness Act, lei federal de 2022 que garante às gestantes o direito a adaptações no trabalho, como assentos, pausas e alívio de tarefas físicas.
O que dizem as autoras?
As quatro autoras, identificadas como Willamina Barclay, Kristina Green, Jennifer Hatch e Dazaria Parks, descrevem uma política sistêmica de exigência de documentação médica para cada solicitação, o que, segundo a petição, causava negações e atrasos até para necessidades como uma cadeira ou o uso do banheiro.
Jennifer Hatch destacou ainda que, em março de 2025, com dificuldade para respirar, ela pediu para sentar em uma cadeira disponível no setor. Um gerente recusou, alegando que a acomodação não havia sido aprovada formalmente.
Meses depois, após saídas antecipadas para o hospital por dores abdominais, o tempo foi descontado de seu banco de folgas não remuneradas e ela recebeu um aviso de demissão. Já Willamina Barclay, grávida de alto risco com pré-eclâmpsia, relata ter sido negada uma cadeira e ter visto pausas extras descontadas automaticamente, levando à sua demissão.
Além disso, a petição ainda aponta que a Amazon utilizava scanners portáteis para rastrear a atividade das funcionárias minuto a minuto, incluindo o tempo gasto em salas de lactação. O tempo dedicado a consultas médicas e emergências seria automaticamente debitado de um saldo limitado de folgas não remuneradas.
Resposta da Amazon
A porta-voz da empresa, Kelly Nantel, negou as acusações em nota. “Aprovamos mais de 99,9% das solicitações de acomodação relacionadas à gravidez no último ano”, afirmou. No entanto, a empresa ainda não apresentou as provas disso.
Vale destacar ainda que essa ação não é um caso isolado. Em fevereiro de 2026, a Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego dos EUA (EEOC) concluiu que a Amazon discriminou uma classe nacional de trabalhadoras de armazéns ao não acomodar limitações relacionadas à gravidez.
A petição também cita investigações em curso nos escritórios dos procuradores-gerais de Nova Jersey e Nova York. Inimai Chettiar, advogada da organização A Better Balance, classificou o caso como uma violação direta da lei federal. “Negar uma cadeira, uma carga mais leve ou uma pausa para o banheiro a uma funcionária grávida é ilegal”, disse.





