De acordo com informações do jornal Milenio, alguns dos 611 funcionários que foram demitidos da fábrica da Volkswagen em Puebla, no México, poderão ajudar a criar mais um carro elétrico no país. Isso porque o Conselho Nacional de Organizações Empresariais (COE) tem o desejo de contar com profissionais para integrá-los no projeto nacional de mobilidade elétrica.
A ideia é aproveitar parte da mão de obra afetada pelos cortes da montadora no projeto Olinia. A proposta aparece em um momento de transformação da indústria automotiva mexicana. Enquanto a Volkswagen reduz sua operação na fábrica de Puebla diante da queda no volume de produção, o país tenta desenvolver uma cadeia própria para veículos elétricos. Dessa forma, trabalhadores que já conhecem processos de fabricação de automóveis poderiam ser aproveitados em uma nova frente industrial.
Trabalhadores da Volkswagen podem ser direcionados ao Olinia
A ideia foi apresentada pelo Conselho de Organismos Empresariais (COE), por meio de seu presidente, César Bonilla Yunes. O organismo empresarial defende que parte dos profissionais desligados da Volkswagen seja vinculada ao Olinia, projeto mexicano de veículo elétrico que está sendo desenvolvido em Puebla.
A proposta ganhou força depois que 611 trabalhadores deixaram a fábrica da Volkswagen em Puebla em meio aos ajustes de produção e à reorganização dos turnos. O número representa uma perda de mão de obra especializada em uma região que possui uma das cadeias automotivas mais importantes do México.
O ponto central é que esses profissionais não precisariam começar uma formação do zero. Experiências em montagem, processos industriais, controle de qualidade e operação de linhas de produção podem ser aproveitadas por uma iniciativa que pretende transformar um projeto de engenharia em um veículo produzido em escala.
Isso não significa, porém, que os funcionários já tenham sido contratados pelo Olinia. A proposta ainda depende de articulação entre empresas, autoridades e trabalhadores, e não existe confirmação de que todos os profissionais afetados serão absorvidos pelo projeto.

Projeto ainda precisa superar uma etapa importante
Apesar da possibilidade, ainda existem questões que precisam ser definidas antes de o Olinia se transformar em uma alternativa concreta para os trabalhadores da Volkswagen.
O projeto precisa estabelecer sua estrutura de produção, fornecedores, capacidade industrial e modelo de contratação. Também será necessário definir quantos profissionais serão necessários quando a fabricação entrar em uma escala maior.
O próprio setor empresarial trata a transferência de trabalhadores como uma proposta, e não como uma decisão já tomada. O COE também defende outras medidas para enfrentar o cenário, incluindo capacitação profissional, incentivos para a Volkswagen e mecanismos para tentar preservar postos de trabalho na cadeia automotiva.
Dessa forma, o caso coloca duas transformações lado a lado. A Volkswagen precisa adaptar sua operação a um mercado mais competitivo e com menor demanda por determinados modelos, enquanto o México tenta construir uma nova capacidade industrial ligada aos carros elétricos.
Se a proposta avançar, parte dos profissionais que perderam espaço na indústria automotiva tradicional poderá justamente participar da construção dessa nova etapa. O resultado, porém, dependerá de como o Olinia será estruturado e de quantos empregos o projeto efetivamente conseguirá criar quando chegar à produção.





