Aquela umidade excessiva dentro de casa cria as condições ideais para o crescimento de fungos nas paredes, nos móveis, nos tecidos e nos forros. O mofo não é só um problema visual: os esporos que ele libera no ar podem provocar tosse, chiado no peito, falta de ar e crises em pessoas com rinite, asma ou outras doenças respiratórias.
A arquiteta Gigi Gorenstein, em entrevista ao portal Terra, explica que o acúmulo de umidade tem três origens principais. A primeira é a infiltração de água pela estrutura da construção, que pode vir de rachaduras, calhas entupidas, terraços sem impermeabilização ou problemas nas tubulações hidráulicas.
A segunda é a condensação, que ocorre quando o ar quente e úmido do interior entra em contato com superfícies frias, como paredes externas, vidros e encanamentos, e a água passa do estado de vapor para o líquido.
Por último é a própria rotina doméstica: banhos demorados, secagem de roupas dentro de casa, cozinhar sem ligar o exaustor e plantas em excesso elevam a umidade do ar.
Sinais de que o problema já chegou
Manchas escuras ou acinzentadas nas paredes e no teto são o sinal mais visível. A tinta estufando, o papel de parede soltando, o cheiro forte e persistente e o aparecimento de bolor em armários e cortinas também indicam que a umidade já está alta o suficiente para sustentar o crescimento do fungo.
Banheiros, cozinhas, lavanderias e paredes que fazem divisa com o exterior são os ambientes mais propensos em qualquer tipo de imóvel.
O que fazer para controlar
Ventilação é a medida mais eficaz e mais barata, a ação simples de abrir janelas diariamente, mesmo por alguns minutos, substitui o ar carregado de vapor por ar mais seco.
Em cômodos sem janela, exaustores ou ventiladores criam a circulação necessária. O horário ideal para ventilar em dias quentes e úmidos é o início da manhã e o final da tarde, quando a temperatura externa é mais amena e o ar que entra traz menos umidade.
Em regiões com alto índice de umidade relativa do ar, como cidades litorâneas, ou em meses de chuva intensa, a ventilação natural pode não ser suficiente. Desumidificadores elétricos removem o excesso de vapor de forma direta e são indicados principalmente para quartos e salas com pouca circulação de ar.
Secar roupas dentro de casa é um dos hábitos que mais contribui para o problema: uma peça de roupa molhada libera de 1 a 2 litros de água no ar enquanto seca. O ideal é usar a área de serviço com exaustor ligado ou, quando possível, secar do lado de fora.
Outros cuidados práticos
Afastar móveis alguns centímetros das paredes externas melhora a circulação do ar nos pontos mais vulneráveis à condensação. Verificar calhas e rufos uma ou duas vezes por ano reduz o risco de infiltração pelo teto.
Quando o mofo já apareceu, limpar com solução de água e água sanitária na proporção de 1 parte de sanitária para 3 de água elimina os esporos na superfície, mas não resolve o problema de origem: sem reduzir a umidade, ele volta.
Para casos de infiltração estrutural, como paredes que molham por dentro mesmo sem chuva, a orientação é chamar um profissional, porque o reparo superficial cobre o sinal sem eliminar a causa.





