Marco Agustín Secchi, estudante de Diseño Industrial de 29 anos que mora em Salta, na Argentina, desenvolveu um cimento capaz de tornar paredes magnetizáveis.
Batizado de IronPlac, o material permite prender objetos diretamente na parede usando imãs, sem furar a superfície, sem colar e sem qualquer suporte. As provas já aguentaram até 2,5 quilos.
De onde veio a ideia
Ao devolver um apartamento alugado depois de um ano e meio, ele precisou tapar todos os buracos que tinha feito para pendurar quadros e outros objetos, arcando com os custos dos reparos e ainda tendo conflitos com o proprietário.
“Por que tenho que fazer um buraco toda vez que preciso pendurar algo?”, ele disse ter se perguntado. O paralelo que usou para explicar o funcionamento é simples: “É como se a parede fosse uma geladeira gigante. Você pode colar objetos que tenham imãs na superfície.”
Como o material funciona
O IronPlac vem em pó, é preparado com água e aplicado como um reboco fino convencional, com desempenadeira, sobre qualquer superfície. Uma vez seco, a parede passa a receber objetos que tenham imã, sem emitir campo magnético por conta própria.
O produto existe em dois formatos: o cimento magnetizável, voltado para obra úmida, aplicado no reboco fino na fase final da construção; e uma placa de gesso magnetizável, pensada para construção a seco, como o steel framing.
Ambos aceitam até quatro demãos de tinta sem perda magnética significativa, mas revestimentos mais espessos, como papel de parede, podem reduzir a aderência ao aumentar a distância entre o material e o imã.
Protótipo, patente e o que ainda falta
O projeto passou por testes de laboratório, instalações em comércios e na prefeitura de Salta, e conta com suporte de universidades locais.
O pedido de patente foi apresentado ao INPI, o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual da Argentina, e a fase atual é o PCT, o sistema internacional de patentes que permite proteger o desenvolvimento em múltiplos países simultaneamente.
A patente ainda não foi concedida, e a fórmula exata do material não foi revelada por razões de propriedade intelectual: Secchi descreve apenas que se trata de uma “formulação especial com cargas minerais e ferrosas”.
Antes de chegar ao design industrial, o inventor cursou arquitetura por dois anos e meio, depois engenharia, abriu uma metalúrgica com sócios e só então encontrou no design a área que combinava todas essas experiências. “Encontrei toda essa sinergia no design industrial”, disse.
O modelo de negócio previsto é o licenciamento da tecnologia para parceiros industriais, que ficariam responsáveis pela fabricação e distribuição enquanto Secchi e a equipe se concentram no desenvolvimento de novas aplicações.
A faixa de preço do produto será determinada pela escala de produção, já que o acesso ao mercado depende diretamente do volume fabricado.





