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Estudo da Unicamp revela quais bebidas vegetais são mais suscetíveis à proliferação de bactérias

Por Júlio Nesi
20/09/2026
Estudo da Unicamp revela quais bebidas vegetais são mais suscetíveis à proliferação de bactérias

Monumento de pedra em uma das entradas da Unicamp. Foto: Priscila Micaroni Lalli / Wikimedia Commons

Um estudo da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que bebidas vegetais com maior densidade nutricional, especialmente alto teor de proteína, fibras e valor energético, podem facilitar a multiplicação de bactérias patogênicas.

A pesquisa, publicada em junho no periódico Journal of Food Science, foi conduzida no âmbito da tese de doutorado de Clara Mariana Gonçalves Lima, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), sob orientação do professor titular Anderson Sant’Ana.

Como foi feito o teste

Para mapear o risco, os pesquisadores selecionaram cinco marcas comerciais de bebidas sabor cacau, com base em castanha de caju, aveia, amêndoa e ervilha, disponíveis em supermercados de Campinas.

Cada produto foi inoculado com três bactérias de importância em saúde pública: Bacillus cereus, Escherichia coli e Salmonella Typhimurium. As amostras permaneceram incubadas por 12 horas em diferentes temperaturas (25 °C, 30 °C e 37 °C, conforme a espécie bacteriana).

“Contaminamos as bebidas com as três bactérias para analisar, com base na composição das formulações, a possibilidade de elas crescerem em determinadas temperaturas”, explica Sant’Ana.

O que os resultados mostram

Os dados revelaram que a composição da bebida é o principal fator de risco, superando em alguns casos até o efeito da temperatura:

  • Bacillus cereus: a variação entre 25 °C e 30 °C não teve impacto direto no crescimento. O que impulsionou a multiplicação foi a densidade nutricional, o microrganismo se desenvolveu mais intensamente em bebidas com maior teor de proteína, fibra e valor energético.
  • Escherichia coli e Salmonella Typhimurium: a 37 °C, o crescimento foi significativamente maior. Uma bebida à base de aveia ou ervilha, rica em nutrientes e armazenada a 37 °C, representou maior risco do que uma formulação menos densa guardada a 25 °C.

“A análise dos componentes principais mostrou que, além da temperatura, proteína, fibras, gordura, sódio e valor energético são os principais promotores do crescimento bacteriano”, afirma o pesquisador.

O estudo também identificou que outros ingredientes, como carboidratos e açúcares, favorecem a proliferação, embora com efeito menos pronunciado; o pH e a composição mineral influenciam via estresse osmótico; e os polifenóis presentes no cacau podem modular o crescimento microbiano.

O que isso muda para a indústria?

O achado tem implicações práticas diretas. “Nosso estudo demonstrou que o crescimento bacteriano foi influenciado tanto pela espécie bacteriana quanto pela composição da bebida e pela interação entre esses fatores”, sublinha Sant’Ana.

Para o pesquisador, entender como nutrientes específicos influenciam a proliferação microbiana permitiria aos fabricantes otimizar formulações para garantir maior segurança, o que pode significar ajustes no controle de pH, uso de conservantes, escolha de embalagens e reforço da cadeia de frio.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais. Cubro política, economia e empreendedorismo com foco em clareza e contexto. Tenho afinidade com pautas de sustentabilidade e meio ambiente (ESG) e causa animal. Trabalho com planejamento editorial, monitoramento de tendências e análise de desempenho. Também atuo com jornalismo investigativo e de dados.

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