O atacante Dudu, hoje no Atlético-MG, apresentou apelação ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) para tentar anular a condenação de R$ 50 mil por danos morais à presidente do Palmeiras, Leila Pereira.
A defesa de Dudu argumenta que o jogador abriu mão de cerca de R$ 25 milhões em direitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ao aceitar a rescisão do contrato com o clube, valor superior aos R$ 21 milhões ofertados pelo Cruzeiro em junho de 2024.
A sentença de primeira instância, proferida em 17 de maio de 2026 pelo juiz Sérgio Serrano Nunes Filho, da 11ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, condenou Dudu a indenizar Leila após a publicação “Me esquece, VTNC” nas redes sociais, feita em janeiro de 2025.
Na apelação, o jogador sustenta que a expressão significava “Vim trabalhar no Cruzeiro”, tese já rejeitada pelo magistrado de primeiro grau, que entendeu a sigla como “vai tomar no cu”.
A sentença de primeira instância
Leila Pereira havia pedido R$ 500 mil em indenização, com destino integral a uma instituição de defesa das mulheres contra a violência de gênero. O juiz reduziu o valor para R$ 50 mil, considerando que, embora a expressão “VTNC” configurasse ofensa pessoal, outras falas fortes do atacante permaneceram no campo da crítica profissional.
Na mesma decisão, o magistrado rejeitou integralmente a reconvenção de Dudu, que pedia indenização de R$ 500 mil contra Leila e sua proibição de mencionar o nome do jogador publicamente.
Segundo o juiz, as declarações da presidente, incluindo a frase “Dudu saiu pela porta dos fundos”, abordavam exclusivamente o desempenho profissional do atleta e não ultrapassaram os limites da liberdade de expressão.
Argumento da defesa
Na apelação, a defesa de Dudu apresenta um conjunto de alegações para demonstrar que a saída do Palmeiras não lhe trouxe benefício econômico:
- Renúncia de R$ 25 milhões em FGTS: o jogador afirma que abriu mão do saldo remanescente de sua multa do FGTS ao aceitar a rescisão;
- Proposta inferior do Cruzeiro: a oferta recebida pelo Palmeiras e encaminhada pelo Cruzeiro em junho de 2024 foi de R$ 21 milhões, abaixo do valor renunciado;
- Assédio moral: Dudu alega que, no período de junho a dezembro de 2024 (sete meses), “vivenciou assédio moral e psicológico praticado pela Autora e suportou silenciosamente”;
- Iniciativa da diretoria: a defesa sustenta que a rescisão partiu do clube, e não do jogador.
Em setembro de 2025, Dudu havia solicitado à Justiça a realização de três perícias: uma para avaliar se a expressão “VTNC” configura ofensa; outra para apurar se ele causou um prejuízo de R$ 22 milhões ao Palmeiras, conforme alega Leila; e uma terceira para confirmar o dano à sua imagem e comprovar a renúncia ao FGTS.
O jogador também requisitou os balanços contábeis do Palmeiras para analisar os recursos obtidos pelo clube em premiações, aumentos de contratos de patrocínio e bilheteria.
O que causou a briga?
O conflito público teve início em janeiro de 2025, quando Leila Pereira, em entrevista durante a apresentação do novo patrocínio máster do Palmeiras, criticou a postura do jogador no processo de saída: “Dudu saiu pela porta dos fundos”. Em resposta, o então camisa 7 do Cruzeiro publicou: “Eu autorizei. Me esquece, VTNC”.
A esposa de Dudu também usou as redes sociais para criticar a postura da mandatária.





