Profissões manuais como eletricista, encanador e pedreiro podem se tornar algumas das mais bem remuneradas nos próximos anos, impulsionadas pela expansão da infraestrutura necessária para sustentar a inteligência artificial.
A avaliação vem do CEO da Nvidia, que defende que o boom tecnológico gerará milhões de vagas em ofícios especializados frequentemente ignorados pelas discussões sobre o futuro do trabalho.
Expansão da inteligência artificial pode valorizar profissões que não exigem diploma universitário, diz CEO da Nvidia
A relação, segundo ele, é direta: construir data centers, fábricas de semicondutores e redes elétricas que alimentem sistemas de inteligência artificial em escala global exigirá mão de obra qualificada em larga escala.
O executivo destacou que essas oportunidades não demandam formação universitária, apenas capacitação técnica e experiência prática, e isso abre caminho para rendimentos acima de 100 mil dólares anuais em determinados países.
O funcionamento de qualquer sistema de inteligência artificial em larga escala depende de estruturas físicas concretas: prédios com data centers, redes elétricas reforçadas e fábricas de chips.
Segundo o executivo da Nvidia, os investimentos globais nesse tipo de infraestrutura podem chegar a 7 trilhões de dólares até o fim de 2030, o que abriria um número expressivo de vagas em ofícios manuais que hoje já escasseiam no mercado.
Eletricistas, encanadores, operários da construção civil e siderúrgicos entrariam nessa lista de beneficiados diretos pela corrida da inteligência artificial.
O executivo descreveu como positivo o fato de o boom tecnológico impulsionar categorias que não costumam ser associadas à inovação digital, criando alternativas de renda para quem não segue o caminho universitário tradicional.
A visão do CEO da Nvidia dialoga com projeções da consultoria McKinsey, que aponta um déficit relevante de profissionais especializados nos Estados Unidos entre 2023 e 2030.
A estimativa prevê a necessidade de incorporar cerca de 130 mil eletricistas, 240 mil operários da construção civil e 150 mil supervisores de obra adicionais nesse período.
Para o executivo, esse cenário está apenas começando e tende a se intensificar à medida que a infraestrutura de inteligência artificial se expande pelo mundo.
Em entrevista em 2025, ele afirmou que o setor de ofícios especializados de todas as economias passará por um crescimento forte, precisando se multiplicar ano após ano conforme aumentem os investimentos.
Outros executivos veem o mesmo problema
O CEO da Ford também vem chamando atenção para a escassez de profissionais qualificados em setores técnicos.
Durante o Festival de Ideias de Aspen em 2025, o executivo pontuou que enquanto a inteligência artificial reduz oportunidades em empregos administrativos.
A indústria enfrenta crescente falta de pessoal capacitado para trabalhos manuais especializados.
De acordo com o executivo da Ford, os EUA enfrentam um déficit de aproximadamente 600 mil trabalhadores fabris e 500 mil funcionários da construção, cenário que pode se intensificar conforme aumentem os investimentos em infraestrutura para inteligência artificial.
Ele também destacou que a contratação de pessoal de nível inicial em empresas tecnológicas caiu 50% desde 2019, criando um vácuo ainda maior no mercado de trabalho.





