O buraco na camada de ozônio sobre a Antártida aumentou rapidamente nas últimas semanas e já ultrapassou a área do próprio continente. Dados do Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus (CAMS), divulgados em 16 de setembro de 2026, indicam que a região com concentração reduzida de ozônio chegou a aproximadamente 25 milhões de quilômetros quadrados em 12 de setembro.
O tamanho chama atenção porque a Antártida possui cerca de 14,2 milhões de quilômetros quadrados. Ou seja, a área monitorada como buraco de ozônio alcançou uma extensão aproximadamente 76% maior que a do continente. Apesar disso, os dados ainda não indicam que 2026 tenha estabelecido um novo recorde: o maior valor já registrado ocorreu em 9 de setembro de 2006, quando a área chegou a 29,6 milhões de quilômetros quadrados.
Crescimento foi rápido no início de setembro
O comportamento observado em 2026 mudou de ritmo durante a primeira metade de setembro. Até o fim de agosto, o buraco havia alcançado cerca de 15 milhões de quilômetros quadrados, ultrapassando a área da Antártida pouco antes do que costuma ocorrer nessa época do ano.
Em 12 de setembro, porém, a extensão estimada já havia chegado a 25 milhões de quilômetros quadrados. Segundo o CAMS, esse número estava aproximadamente 5 milhões de quilômetros quadrados acima da média observada para o período, e as previsões apontavam possibilidade de crescimento adicional em meados de setembro.
O fenômeno ainda está dentro do período em que o buraco costuma atingir suas maiores dimensões. A formação ocorre durante a primavera no Hemisfério Sul, quando as condições atmosféricas sobre a região polar favorecem uma sequência de reações químicas que aceleram a destruição do ozônio.
Por que o buraco aumenta nessa época?
O chamado buraco na camada de ozônio não representa uma abertura física na atmosfera. Trata-se de uma grande área da estratosfera na qual a concentração de ozônio cai abaixo de 220 Unidades Dobson, parâmetro utilizado pelos cientistas para delimitar a região de maior perda do gás.
Durante o inverno antártico, as temperaturas extremamente baixas na estratosfera favorecem a formação de nuvens estratosféricas polares. Quando a luz solar retorna à região na primavera, essas nuvens participam de reações que ativam compostos contendo cloro e bromo. Esses elementos, provenientes principalmente de substâncias produzidas pelo ser humano, podem então desencadear processos capazes de destruir moléculas de ozônio.
Em 2026, o crescimento acelerado registrado no começo de setembro coincidiu com uma queda repentina da temperatura mínima a aproximadamente 20 quilômetros de altitude sobre o Polo Sul. Esse resfriamento favoreceu as condições associadas ao processo de destruição do ozônio.
Camada de ozônio funciona como proteção contra radiação ultravioleta
A importância desse fenômeno está no papel desempenhado pelo ozônio estratosférico. O gás absorve grande parte da radiação ultravioleta emitida pelo Sol, reduzindo a quantidade que alcança a superfície terrestre.
Quando a concentração de ozônio diminui, aumenta a exposição à radiação ultravioleta. Esse tipo de radiação está associado a danos à pele e aos olhos e pode contribuir para problemas como câncer de pele e catarata. A camada de ozônio também ajuda a proteger ecossistemas e plantações dos efeitos da radiação UV.
A situação de 2026, portanto, não deve ser analisada apenas pelo tamanho da área afetada. O acompanhamento inclui também a concentração do ozônio, a profundidade da perda e as condições atmosféricas que determinarão como o fenômeno irá evoluir ao longo da primavera antártica.





