Após identificar mais de 4 milhões de chamadas fraudulentas com identificador falso, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), resolveu agir e barrou empresas que estavam envolvidas no alto volume de ligações com indícios de fraude. A decisão foi tomada na quinta-feira (17).
A prática itendificada pelo órgão é conhecida como spoofing e pode ser utilizada para fazer uma ligação parecer ter vindo de uma pessoa, empresa ou instituição diferente daquela que realmente iniciou o contato. Diante dos registros encontrados, a agência determinou bloqueios e também exigiu que algumas empresas reconstruam o caminho percorrido pelas ligações para descobrir quem efetivamente as originou.
Como funciona a falsificação do número
Em uma ligação convencional, o número apresentado na tela do celular ajuda o destinatário a identificar quem está telefonando. No spoofing, essa informação pode ser adulterada durante o percurso da chamada.
Com isso, uma ligação feita por um determinado agente pode aparecer para o consumidor como se tivesse sido realizada por outro número. O recurso pode ser explorado em golpes porque aumenta a aparência de legitimidade do contato.
Uma pessoa pode, por exemplo, receber uma chamada que aparenta estar associada a um número conhecido ou a uma empresa e, acreditando na identificação exibida, acabar fornecendo informações pessoais ou realizando alguma ação solicitada pelo interlocutor.
Fiscalização encontrou milhões de chamadas suspeitas
Segundo uma reportagem do UOL Tilt, os dados analisados pela Anatel mostram a dimensão do problema. Em uma das apurações, foram identificadas 2.436.445 chamadas com indícios de spoofing relacionadas à Voros Telecomunicações. Outro relatório associado à mesma empresa apontou 164.082 ligações desse tipo.
Também houve registros envolvendo a ELO Contact Center. Os relatórios de fiscalização citados nas decisões contabilizaram 5.287, 672.379 e 1.080.513 chamadas caracterizadas como spoofing associadas à empresa.
Esses números fizeram com que a agência adotasse medidas específicas para interromper o tráfego considerado irregular e aumentar a capacidade de identificar os responsáveis pelas ligações.
Algumas empresas terão chamadas bloqueadas
Entre as medidas determinadas pela Anatel está a suspensão, por um mês, da capacidade de originação de chamadas da ELO Contact Center na rede da TIM.
Outra determinação envolve a Voros Telecomunicações. Nesse caso, Algar, Datora e Foco receberam ordens relacionadas ao bloqueio do tráfego associado à empresa. A liberação está condicionada à regularização de pontos identificados pela fiscalização e à adoção de mecanismos de autenticação das chamadas.
As decisões têm caráter cautelar e fazem parte de um conjunto de seis medidas emitidas pela Superintendência de Controle de Obrigações da Anatel.
Agência também quer descobrir de onde saem as ligações
O bloqueio é apenas uma das frentes utilizadas pela Anatel. Em outros casos, a agência determinou que as empresas realizem um rastreamento individual das chamadas.
A finalidade é reconstruir o trajeto percorrido por cada ligação dentro das redes de telecomunicações. Isso é necessário porque uma chamada pode passar por várias prestadoras antes de chegar ao telefone do consumidor.
Quando o número de origem foi adulterado, olhar somente para a identificação que aparece na tela não é suficiente para descobrir quem iniciou a comunicação. É preciso analisar as diferentes etapas pelas quais o tráfego passou.
O que acontece quando a origem não é encontrada?
As determinações da Anatel também estabelecem procedimentos para os casos em que o rastreamento não consegue chegar ao verdadeiro originador.
Nessa situação, as empresas precisam explicar por que não foi possível identificar a origem e apresentar informações sobre as diligências realizadas para tentar obter os dados.
A agência também prevê a possibilidade de novas medidas caso sejam identificados responsáveis ou agentes que não tenham colaborado adequadamente com o rastreamento.
Dessa maneira, a fiscalização não se limita a interromper uma rota considerada problemática. O objetivo também é reconstruir a cadeia de telecomunicações para determinar onde a chamada começou.





