A utilização de remédios sempre precisa ser feita com muita cautela pelas pessoas e, principalmente, recomendação médica. Diante disso, uma pesquisa revelou que há uma combinação de medicamentos que podem representar risco para a saúde dos idosos. Continue a leitura e confira quais são essas substâncias.
O estudo foi realizado por pesquisadores do Canadá e publicado na revista científica BMJ. A investigação chamou atenção para um problema que pode passar despercebido durante o acompanhamento médico: uma reação provocada por determinado medicamento pode ser interpretada como sinal de uma nova doença e resultar na inclusão de outro remédio no tratamento.
Esse processo é conhecido como cascata de prescrição potencialmente inadequada. Na prática, o paciente começa tomando uma substância, apresenta um efeito adverso e, em vez de a reação ser relacionada ao primeiro medicamento, ela pode ser entendida como um novo problema de saúde.
Como uma cascata de medicamentos pode acontecer?
Um dos exemplos analisados pelos pesquisadores envolve os anti-inflamatórios não esteroides, utilizados com frequência para aliviar dores. Esses medicamentos podem provocar aumento da pressão arterial em algumas pessoas.
Quando isso acontece, existe a possibilidade de o aumento da pressão ser interpretado como um quadro de hipertensão que precisa de tratamento específico. Assim, um novo medicamento pode ser prescrito para controlar a pressão, enquanto o remédio que desencadeou a reação continua sendo utilizado.
O problema é que essa sequência pode fazer o paciente acumular medicamentos sem que a origem do novo sintoma seja investigada adequadamente. Em vez de modificar ou retirar a substância responsável pelo efeito adverso, acrescenta-se outro fármaco para tentar controlar a consequência.
Pesquisa encontrou 24 combinações preocupantes
Os pesquisadores já trabalhavam com uma relação de 65 possíveis cascatas de prescrição inadequada. Para determinar quais delas mereciam maior atenção, foram considerados três aspectos: a frequência com que o primeiro medicamento era utilizado, a quantidade de vezes em que ele era seguido pela prescrição de uma segunda substância e a consistência da associação entre os dois.
A partir dessa análise, a equipe identificou 24 cascatas que apareciam com maior frequência na população estudada e que apresentavam potencial de provocar danos.
A lista inclui medicamentos bastante comuns, como estatinas e suplementos de ferro. O levantamento, portanto, não se concentra apenas em remédios considerados de uso restrito ou excepcional.
Por que os idosos são mais vulneráveis?
A questão ganha relevância entre os idosos porque é comum que essa parcela da população conviva simultaneamente com diferentes doenças crônicas. Como consequência, o número de medicamentos utilizados tende a ser maior.
Quanto mais substâncias fazem parte de uma rotina de tratamento, mais difícil pode ser determinar qual delas está relacionada ao aparecimento de um novo sintoma. Isso cria condições para que uma reação adversa seja confundida com uma nova condição médica.
A situação também merece atenção especial entre mulheres mais velhas. Segundo a pesquisa, elas tendem a apresentar maior quantidade de doenças crônicas do que os homens e, consequentemente, utilizam mais medicamentos e estão mais expostas a reações adversas.
Histórico dos medicamentos é fundamental
Para a médica Paula Rochon, professora de medicina da Universidade de Toronto e diretora do Centro de Saúde de Mulheres Maduras do hospital Sinai Health, uma das medidas importantes para evitar essas situações é conhecer o histórico completo de medicamentos do paciente.
Isso envolve saber não apenas quais substâncias estão sendo utilizadas atualmente, mas também quando cada uma delas foi iniciada e qual era a finalidade original da prescrição.
Essa informação pode ajudar o profissional a perceber uma relação temporal entre a introdução de um medicamento e o surgimento de determinado sintoma. Dessa forma, antes de acrescentar outro tratamento, existe a possibilidade de investigar se o problema pode estar relacionado a uma reação adversa.
O que muda para quem usa vários remédios?
A pesquisa não significa que idosos devam interromper medicamentos por conta própria. Muitos pacientes precisam de tratamentos combinados para controlar diferentes condições, e a suspensão sem orientação pode trazer consequências.
O principal alerta está relacionado à necessidade de revisar periodicamente a prescrição e considerar o conjunto de medicamentos utilizado pelo paciente. Uma alteração recente no tratamento, seguida pelo aparecimento de um novo sintoma, pode ser uma informação relevante para essa avaliação.
O estudo contou com pesquisadores de diferentes áreas, incluindo especialistas em farmacologia e geriatria dos Estados Unidos, Bélgica, Itália, Israel e Irlanda. Os resultados reforçam a importância de investigar a origem de novos sintomas antes de simplesmente adicionar mais um medicamento à rotina.
Esse cuidado pode ser especialmente relevante na terceira idade, quando a polifarmácia aumenta a complexidade do tratamento e pode dificultar a identificação de efeitos adversos. A revisão do histórico farmacológico, portanto, ajuda a diferenciar uma nova condição de saúde de uma possível consequência de um medicamento já utilizado pelo paciente.





