Parar de trabalhar até os 60 anos é o plano de 59% dos trabalhadores brasileiros, mas só 28% deles têm confiança de que isso vai se concretizar.
O contraste evidencia o quanto a expectativa de aposentadoria se afasta da percepção que as pessoas têm sobre suas próprias condições financeiras.
As informações vêm da quarta edição da pesquisa “Percepção dos Brasileiros sobre Proteção e Planejamento”, encomendada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) ao Datafolha, que ouviu 1.908 pessoas espalhadas pelo país.
O estudo, divulgado na última quarta-feira (16), traz um retrato das expectativas dos brasileiros em relação à aposentadoria.
Maioria dos brasileiros quer se aposentar aos 60 anos, mas poucos acreditam que conseguirão parar de trabalhar
Entre os entrevistados, 32% estimam que só conseguirão deixar o trabalho depois dos 61 anos.
Outros 11% acreditam que nunca conseguirão sair do mercado de trabalho, enquanto 12% não pretendem se aposentar.
Os dados mostram que as expectativas se dividem entre a aposentadoria aos 60 anos, o adiamento do fim do trabalho e a decisão de não se aposentar.
A Previdência Social continua sendo a principal fonte de renda, mas é cercada de incertezas.
Dois terços dos participantes, ou 65%, não sabem quanto receberão quando deixarem o trabalho.
Outros 53% estimam que o INSS lhes pagará apenas o equivalente a um salário mínimo.
Entre quem já está aposentado, 92% dizem que o INSS é a principal fonte de renda e, para parte desse grupo, a única.
Sobre os planos futuros, 56% dos que contam com o INSS esperam reduzir os gastos na aposentadoria.
Apenas 25% acreditam que conseguirão manter o padrão de vida atual, e 16% temem não conseguir se sustentar adequadamente.
Apesar das preocupações com o futuro financeiro, poucos brasileiros buscam proteção por meio de produtos privados.
Apenas 9% dos entrevistados têm previdência privada, enquanto 18% têm seguro de vida.
No total, 41% têm algum produto do setor, principalmente seguros funerários, que alcançam 30% dos entrevistados.
As coberturas de invalidez, doenças graves e seguro prestamista aparecem em proporções menores, com 10%, 7% e 6%, respectivamente.
Para se proteger contra imprevistos, 42% preferem poupar ou investir diretamente, contra 13% que apontam seguros ou previdência privada como solução.
Desconhecimento como barreira ao consumo e a importância de começar cedo
Um obstáculo ao crescimento do mercado de proteção é o desconhecimento do vocabulário técnico.
Apenas 12% dos brasileiros compreendem corretamente o significado da palavra “prêmio” no contexto de seguros.
O dado mostra como a linguagem do setor pode afastar os consumidores.
Essa lacuna de comunicação foi tema do XII Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, realizado em São Paulo na última quarta-feira (16), dia da divulgação da pesquisa.
Executivos da área apontaram a simplificação do jargão como estratégia para aproximar os produtos dos consumidores.
A desinformação também afeta a percepção sobre os preços, e entre as pessoas sem seguro, 45% consideram os serviços caros sem ter consultado uma cotação ou pesquisado os valores praticados no mercado.
Essa percepção afasta potenciais clientes antes de qualquer contato com ofertas concretas.
A idade em que se inicia o planejamento financeiro influencia o resultado final.
Quem começa a poupar aos 30 anos precisa guardar aproximadamente 860 reais por mês para acumular 1 milhão aos 70, considerando ganho real anual de 4%.
Adiar o início para os 45 anos eleva essa necessidade para cerca de 2 mil reais mensais. O valor necessário aumenta à medida que o início do planejamento é postergado.
Enquanto isso, cerca de 20% dos brasileiros fazem apostas online, contra 13% que têm seguro de vida e 8% que têm previdência privada.
As apostas movimentaram mais de 230 bilhões de reais em 2025.
No mesmo período, a arrecadação combinada dos seguros de vida e de automóveis atingiu aproximadamente 160 bilhões de reais.





