O físico Constantino Tsallis pode se tornar o primeiro brasileiro a ganhar um Prêmio Nobel desde César Lattes, que chegou perto do feito nos anos 1950.
Em 1988, ele reformulou a forma como a ciência compreende a termodinâmica ao propor uma abordagem para entender a entropia, medida do grau de desordem de um sistema ligada à disponibilidade de energia.
A releitura desse conceito abriu caminho para resolver problemas antes considerados intratáveis em áreas que vão de plasmas astrofísicos e raios cósmicos à neurociência, à genômica e à economia.
O trabalho de Tsallis na Física Estatística ganhou reconhecimento internacional e fez dele um possível candidato ao Nobel de 2026 ou 2027.
Brasileiro está entre os nomes ligados a uma descoberta que pode render um Prêmio Nobel
Na Grécia Antiga, o filósofo Heráclito de Éfeso defendia que tudo está em constante movimento.
Séculos depois, a Eolípila, ou Máquina de Heron, em referência ao matemático grego Heron de Alexandria, tornou-se o primeiro dispositivo capaz de gerar trabalho a partir do vapor d’água.
O caminho até máquinas térmicas operacionais levaria ainda 16 séculos. Os grandes motores a vapor que impulsionaram a Revolução Industrial surgiram 200 anos depois.
No século 19, o físico alemão Rudolf Julius Emanuel Clausius formulou a primeira expressão matemática para a entropia e batizou o conceito.
Seu trabalho inspirou o austríaco Ludwig Eduard Boltzmann e o americano Josiah Willard Gibbs a criar a mecânica estatística clássica, marco que seria a base da termodinâmica por décadas.
A termodinâmica passou por dois momentos decisivos após Clausius, e o primeiro veio de Ilya Prigogine, químico belga de origem russa cujos estudos sobre sistemas fora do equilíbrio térmico, desenvolvidos a partir dos anos 1940, lhe renderam o Prêmio Nobel de Química em 1977.
O segundo surgiu em 1988, quando Tsallis propôs uma generalização da mecânica estatística de Boltzmann-Gibbs, chamada de mecânica estatística não extensiva.
A teoria clássica associa a energia ao movimento dos átomos dentro da matéria, mas Tsallis identificou que ela falhava ao explicar sistemas complexos, como organismos vivos.
A termodinâmica tradicional trata de sistemas fechados próximos do equilíbrio térmico.
Seres vivos, porém, trocam matéria e energia constantemente para sobreviver e operam fora desse equilíbrio, estudado por Clausius e Boltzmann.
Reconhecimento e colaborações internacionais
Levantamentos da AEC apontam a crescente relevância do trabalho de Tsallis na ciência internacional.
Ele colaborou com o Instituto Santa Fé entre 2004 e 2006, reforçando sua inserção na elite científica global.
A Lund University, na Suécia, também acompanha de perto essas pesquisas, que acumulam citações em publicações acadêmicas.
Tsallis integrou por três vezes a comissão que outorga a Medalha Boltzmann, maior distinção mundial de física estatística.
Em 2027, será copresidente do Simpósio Nobel de Física em Lund, com o tema “Beyond Boltzmann: Complexity, Memory and Non-additive Entropies”.
A participação reforça o reconhecimento de sua contribuição à disciplina e a possibilidade de reconhecimento pelo maior prêmio científico do mundo.





