Pacientes com câncer em tratamento foram vítimas de um esquema que envolvia empresários, advogados e profissionais da saúde acusados de fraude em licitações, superfaturamento e falsificação de medicamentos.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga o esquema, que afetou unidades de diferentes estados e movimentou milhões de reais em recursos públicos.
Medicamentos destinados a pacientes com câncer entram no centro de investigação após suspeitas de fraude
Em 29 de junho, a Operação Placebo cumpriu 56 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul.
Foi preso em flagrante o empresário Lisandro Henriques Hermes, apontado como principal responsável pela distribuição dos medicamentos adulterados.
Na residência de Hermes, agentes encontraram caixas de remédios com indícios de falsificação, como erros de grafia, coloração e textura nas embalagens, além de discrepâncias nos idiomas das bulas.
A investigação revelou um método coordenado entre os envolvidos, e o médico indicava medicamentos não disponíveis no SUS e recomendava advogados aos pacientes.
Esses advogados acionavam a Justiça para obrigar o Estado a financiar a compra.
Após as decisões judiciais, farmácias ligadas aos investigados venciam as licitações públicas, enquanto Lisandro Hermes controlava essas empresas como sócio direto ou indireto.
Segundo o delegado Daniel Severo, o suspeito podia imprimir qualquer coisa nas cartelas dos medicamentos, porque os produtos não tinham identificação legítima.
A descoberta começou quando funcionários do setor oncológico da Santa Casa de Caridade de São Gabriel desconfiaram de um lote.
O laboratório fabricante confirmou à polícia que não reconhecia os produtos como genuínos, levando à suspensão imediata da distribuição.
Empresas investigadas apenas em Mato Grosso do Sul movimentaram mais de R$ 70 milhões entre 2021 e 2025, conforme dados da Receita Federal.
Investigações em curso
Pacientes que tratavam câncer foram afetados. Quando a apreensão ocorreu, relataram que ficaram meses sem tratamento adequado antes de receber outras medicações.
Investigações sobre casos semelhantes estão em andamento no Rio de Janeiro, no Ceará e em Mato Grosso do Sul.
O médico Fernando Borges da Silva, que atendia pacientes envolvidas no esquema, também integra a apuração policial. Ele e três advogados foram proibidos de exercer a profissão.
A Santa Casa de São Gabriel suspendeu o médico assim que soube da investigação e informou que o hospital não é investigado na Operação Placebo e que colabora com a apuração.





