George Lucas, criador de Star Wars, abriu nesta terça-feira (22) o Lucas Museum of Narrative Art, em Los Angeles, com mais de 1.300 obras dispostas em 30 galerias que atravessam séculos de narrativa visual, da pintura clássica aos quadrinhos e ao cinema.
O prédio, projetado pelo arquiteto chinês Ma Yansong, do escritório MAD, ergue-se no Exposition Park como uma estrutura branca e sinuosa, quase flutuante sobre a paisagem do sul da cidade.
Uma coleção pessoal que virou instituição
O acervo nasceu da coleção particular de Lucas, iniciada nos anos 1970 com a compra de uma tirinha assinada por V. T. Hamlin, criador de “Alley Oop”, publicada no Brasil como “Brucutu”.
Décadas depois, esse impulso inicial se transformou num projeto de US$ 1 bilhão bancado pelo próprio diretor, que vendeu a LucasFilm à Disney por US$ 4 bilhões em 2012 e usou parte da fortuna para consolidar o museu.
O edifício de 300 mil pés quadrados reúne mais de 100 mil pés quadrados de área expositiva e ocupa um terreno de 11 acres que antes funcionava como estacionamento a céu aberto. A obra levou oito anos, entre atrasos, mudanças de cidade e negociações fracassadas com prefeituras como San Francisco e Chicago antes de se fixar em Los Angeles.

O que está nas galerias
Ilustradores como Charles M. Schulz, criador do Snoopy, Jim Davis, do Garfield, além de Robert Crumb, Moebius, Norman Rockwell e Jack Kirby dividem espaço com artistas como Frida Kahlo e Sebastião Salgado, uma escolha deliberada de Lucas para colocar histórias em quadrinhos e ilustração popular no mesmo patamar histórico de obras consagradas pela crítica de arte tradicional.
Uma ala inteira é dedicada aos seis primeiros filmes de Star Wars, com destaque para os veículos originais usados nas filmagens, ilustrações de concept art assinadas por Ralph

McQuarrie e réplicas de figurinos.
“Histórias são mitologia, e quando ilustradas, ajudam os seres humanos a entender os mistérios da vida”, disse Lucas em comunicado divulgado pelo museu. O diretor já se referiu à instituição como “um templo para a arte do povo”, numa tentativa explícita de elevar o status de formas de expressão visual historicamente vistas como menores dentro do circuito de museus tradicionais.

Uma peça encomendada ao artista britânico Banksy, doada a Lucas e à esposa, a empresária Mellody Hobson, cofundadora do museu, também integra o acervo: a obra retrata um leão com um chicote e é mantida num andar de acesso mais restrito, alimentando discussões sobre violência e controle, temas recorrentes na obra do artista.





