Um levantamento da DominiPay divulgado recentemente revelou que mais de 98% das transações empresariais analisadas foram feitas pelo Pix no último mês de agosto.
Menos de 2% do volume analisado envolveu outros meios de pagamento, principalmente moedas digitais, em especial as stablecoins USDT e USDC.
Os dados evidenciam que, mesmo com o crescimento pontual de ativos digitais, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central continua sendo a principal ferramenta usada pelas empresas em suas movimentações diárias.
Mais de 98% das transações empresariais analisadas em estudo foram feitas pelo Pix
No mês analisado, o oitavo de 2026, a soma das duas stablecoins chegou a 1,85% do volume total avaliado, enquanto o Bitcoin, que é o criptoativo mais conhecido do mercado, não passou de 0,01% de participação.
O USDT, sozinho, concentrou aproximadamente 99% de tudo que passou por moedas digitais na plataforma durante agosto, o USDC ficou com menos de 1%.
Um recorte de 13.337 saques realizados no período ajuda a entender essa divisão: 4.080 saíram em reais, 4.012 em USDT, 3.667 em Bitcoin e 618 em USDC.
Quando o assunto é retirar valores, o dólar digital passa a disputar espaço com a moeda nacional de forma mais equilibrada do que no volume total transacionado.
Os números indicam dois sistemas funcionando lado a lado, sem que um substitua o outro no comportamento das empresas analisadas.
O Pix segue dominante para movimentações cotidianas em reais, enquanto as stablecoins começam a ganhar espaço em situações específicas.
Essa divisão fica mais nítida ao comparar o volume total das transferências com o recorte de saques: no primeiro caso, a moeda nacional é praticamente unânime; no segundo, as stablecoins somam quase metade dos registros.
Ainda assim, o padrão sugere que o dólar digital já entrou na rotina de parte das empresas que operam na plataforma, sem ameaçar a posição do sistema do Banco Central nas transações do cotidiano.
O apelo fiscal por trás do avanço
Parte do interesse das empresas por stablecoins tem relação direta com remessas ao exterior: moedas digitais lastreadas em dólar vêm sendo usadas como forma de contornar a cobrança do IOF em operações internacionais.
O Banco Central já reagiu a esse movimento e fixou um teto de R$ 100 mil para transferências internacionais feitas em criptoativos com destino a instituições sem autorização para operar no país.
O varejo também passou a explorar essa brecha: cartões vinculados a stablecoins chegaram ao mercado brasileiro como opção mais barata do que serviços tradicionais de remessa internacional, caso da Wise e da Nomad.
O movimento reforça que o crescimento das moedas digitais entre empresas está ligado menos à conveniência do dia a dia e mais à busca por economia em operações fora do país.





