Um apartamento de 76 m² que pertence ao ator Paulo Betti, localizado no Alto da Boa Vista, zona norte do Rio de Janeiro, está à venda com preço de R$ 485 mil.
Mais do que o cenário voltado à floresta, o que chama atenção no imóvel são as marcas deixadas por quem já morou nele e o traço arquitetônico que carrega.
Apartamento de Paulo Betti no Rio de Janeiro com projeto de Oscar Niemeyer tem valor milionário
Antes de chegar às mãos de Betti, o imóvel teve como primeiro morador conhecido o antropólogo Darcy Ribeiro, que viveu entre 1922 e 1997.
Foi para esse morador que Niemeyer, seu amigo, idealizou um projeto sob medida para a sala, erguendo uma espécie de tablado no meio do cômodo.
A estrutura funcionava como palco e foi criada porque Ribeiro tinha baixa estatura e queria ampliar a visão da paisagem.
Em vídeo de apresentação do imóvel, Betti explicou o significado daquele detalhe raro.
O “elevadinho” projetado pelo arquiteto se tornou o principal diferencial do apartamento, que mantém a vista como um dos pontos mais valorizados.
Aquela intervenção simples, mas pensada sob medida, reflete a criatividade de Niemeyer (1907-2012) e seu compromisso em resolver problemas práticos com elegância.
Leonardo Boff, outro residente notável, abrigou-se ali durante anos antes de Betti adquirir o imóvel diretamente dele.
O endereço ganhou ainda mais peso simbólico quando recebeu a visita do líder espiritual tibetano Dalai Lama, durante uma de suas passagens pelo Brasil.
Esse histórico de personalidades transformou o apartamento em um bem com significado que ultrapassa o valor convencional do metro quadrado na região.
A vida de Betti no Itanhangá
Enquanto negocia a venda do imóvel no Alto da Boa Vista, o ator continua morando no Itanhangá, na zona oeste do Rio, onde vive há mais de quatro décadas.
A região reúne montanhas, trechos de Mata Atlântica e condomínios de padrão elevado, características que Betti associa às paisagens de sua infância.
O ator disse que se identificou com a região porque ela lembra os lugares onde cresceu.
Ele contou que preserva costumes simples na rotina: anda de bicicleta até a Barra da Tijuca, caminha pela praia e circula por comunidades perto de onde mora.
Betti relatou que treina em uma academia dentro da comunidade, a 200 metros de sua casa, e que o público é sempre carinhoso quando o reconhece.
Ele afirmou que estar perto da comunidade com frequência o ajuda a enxergar as desigualdades sociais, já que o contraste entre aquele espaço e o condomínio onde vive é o que mais o mantém consciente da realidade ao seu redor.





