A indústria alimentícia transformou a proteína em ferramenta de marketing: vende produtos enriquecidos com o nutriente mesmo quando as pessoas já consomem quantidade suficiente pela alimentação natural.
O mercado deve crescer de US$ 83,14 bilhões este ano para US$ 121,53 bilhões em 2031, impulsionado pela reformulação de alimentos para concentrar mais nutrientes em porções menores.
Ismael Galancho, nutricionista especializado em esporte e saúde que trabalhou com atletas como Lionel Messi e o streamer espanhol Ibai Llanos, afirmou em entrevista ao El Tiempo que o excesso de proteína prejudica mais do que beneficia.
Segundo ele, o nutriente ocupa espaço no prato que deveria ser destinado a vegetais, grãos e fontes de fibra.
Nutricionista revela a quantidade de proteína que você realmente precisa consumir
O mercado aproveita tendências para aumentar as vendas, e a proteína virou uma delas.
Produtos com o nutriente adicionado prometem benefícios que muitas pessoas já obtêm naturalmente pela alimentação equilibrada.
Essa estratégia cria a impressão de que quanto mais proteína, melhor, embora isso não valha para quem já tem uma dieta adequada.
O nutricionista diz que essa crença levou a indústria a expandir seus negócios sem melhorar necessariamente a saúde das pessoas.
Um erro frequente é imaginar que a proteína vem apenas de carne vermelha, peixe e ovo.
Essa visão faz as pessoas ignorarem outras fontes do nutriente, que também acrescentam benefícios à dieta.
Aves, laticínios fermentados e proteínas vegetais também ajudam a atingir a necessidade diária.
Variar as fontes fornece outros nutrientes de que o corpo precisa e torna a alimentação mais equilibrada.
Peixes brancos e azuis aparecem entre os alimentos citados como ricos em proteína. Incluí-los na rotina alimentar ajuda a diversificar as fontes do nutriente sem depender só da carne vermelha.
Ao alternar entre esses peixes e outras proteínas ao longo da semana, fica mais fácil atingir a quantidade necessária sem excessos que prejudiquem a saúde geral.
Laticínios fermentados, como iogurtes naturais, também fornecem proteína.
Eles costumam ser melhor tolerados por quem tem sensibilidade à lactose e contribuem com outros nutrientes essenciais.
Incluí-los nas refeições ajuda a atingir a quantidade necessária sem recorrer a suplementos caros ou desnecessários.
As proteínas de origem vegetal completam a lista de fontes recomendadas pelo nutricionista.
Elas permitem que quem reduz o consumo de carne ainda mantenha a ingestão adequada do nutriente.
Combinar diferentes fontes vegetais ao longo do dia é uma forma de garantir variedade nutricional sem depender de um único alimento ou de produtos industrializados.
Comer variado ao longo do dia basta, e excesso de proteína pode prejudicar
Ao distribuir essas fontes proteicas nas refeições diárias, a pessoa costuma alcançar naturalmente a quantidade necessária. Não é preciso recorrer a suplementos para atingir esse objetivo.
Conforme explicado, essa distribuição ao longo do dia é mais eficiente do que concentrar tudo em uma única refeição pesada, melhorando a absorção e deixando espaço para os demais alimentos.
Consumir proteína além do necessário não traz benefício extra e pode até prejudicar a saúde. O espaço no prato ocupado pela proteína em excesso tira lugar de outros alimentos importantes.
Um estudo publicado em fevereiro na revista Nature Metabolism identificou que o excesso de proteína pode aumentar o risco cardiovascular ao interferir na atividade de células do sistema imunológico.
Quando a proteína domina o cardápio, vegetais, grãos e fontes de fibra perdem espaço, o que compromete o equilíbrio da alimentação.
Pessoas sedentárias devem consumir entre 0,8 e 1,2 gramas de proteína por quilo de peso corporal diariamente, de acordo com dados apresentados.
Esse número contraria a ideia propagada de que é preciso consumir cada vez mais.
Ultrapassar esse valor sem necessidade real não traz ganho adicional e ainda pode desequilibrar a dieta como um todo, afastando a pessoa de uma alimentação verdadeiramente saudável.
Para quem pratica atividade física com frequência, aumentar a ingestão de proteína pode fazer sentido.
O nutricionista reconhece essa necessidade específica para atletas e praticantes regulares de exercício.
Mas ele alerta que essa recomendação não vale para todo mundo, pois a rotina de treino é o que determina a necessidade extra, não uma regra geral que se aplique a sedentários.
Distribuir o consumo de proteína em 3 ou 4 refeições ao longo do dia é uma forma prática de garantir a quantidade necessária sem excessos.
Essa divisão evita concentrar tudo numa única refeição pesada, e ajuda o corpo a aproveitar melhor o nutriente e mantém espaço no cardápio para alimentos que também são indispensáveis.
A recomendação é variar as fontes, respeitar a quantidade necessária e não tratar a proteína como sinônimo automático de saúde.





