O governo russo tomou o controle dos negócios da Nestlé e da rede varejista francesa Auchan no país, em mais um passo da pressão que vem impondo a empresas estrangeiras.
As duas empresas são acusadas de apoiar hostilidades contra a Rússia.
Segundo decreto presidencial divulgado na última sexta-feira (18), a administração das duas companhias passou temporariamente para as mãos da estatal L.E.V Management.
Nestlé tem ativos confiscados pelo governo durante nova onda de nacionalizações
No país, a Nestlé ainda conta com seis fábricas em funcionamento, com um quadro de mais de 7 mil trabalhadores.
Em 2021, esse mercado respondia por uma fatia de 2% de todo o faturamento da companhia, cifra próxima a 2 bilhões de francos suíços, ou US$ 2,4 bilhões.
Na Rússia, a Auchan mantém 230 lojas físicas e presença digital e emprega 30 mil pessoas.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse aos repórteres que as duas empresas são europeias, pertencem a países hostis e estão envolvidas ativamente em hostilidades contra a Rússia.
A Nestlé, dona de marcas como KitKat e Nescafé, declarou que estuda os caminhos possíveis diante da situação e afirmou estar disposta a adotar as providências cabíveis para preservar seus direitos.
Segundo a empresa, o objetivo é assegurar que suas atividades comerciais sigam funcionando, atendendo aos interesses de todos os envolvidos, com atenção especial aos seus trabalhadores.
Após o anúncio, os papéis da Nestlé recuaram 2% na bolsa de Zurique, enquanto a Auchan não retornou os pedidos de comentário.
Moscou acelerou a estratégia após a invasão da Ucrânia em 2022.
Um decreto assinado pelo presidente Vladimir Putin no ano seguinte autorizou o governo a colocar sob seu controle temporário os ativos de países considerados hostis.
A medida já atingiu a dinamarquesa Carlsberg e a francesa Danone.
Pouco após a invasão em larga escala, mais de mil empresas deixaram o território voluntariamente.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky criticou a Nestlé por manter operações. Após o início da guerra, a empresa havia reduzido drasticamente sua linha de produtos.
A Nestlé argumentou que fornecia alimentos essenciais à população e não obtinha lucro com operações que haviam sido significativamente reduzidas.
Nacionalizações também atingem empresas nacionais
A campanha também atinge empresas russas, e o Kremlin tem intensificado o controle sobre empresas privadas do país e redistribuído ativos em escala sem precedentes desde o colapso soviético.
A Procuradoria-Geral da Rússia promove uma série de nacionalizações e reabre acordos de privatização da década de 1990, sob o argumento de que eles violavam a soberania econômica do país.
No último fim de semana, ocorreram as primeiras eleições parlamentares em todo o país desde que a invasão da Ucrânia começou em 2022, e o partido de Putin, Rússia Unida, saiu vitorioso com folga na disputa pela Duma Estatal.





