A partir de outubro, uma nova regra da Meta deve mudar a forma como empresas utilizam a plataforma WhatsApp Business para se comunicar com clientes. A seguir, saiba quais serão as mudanças.
WhatsApp Business terá nova cobrança em outubro
Empresas que utilizam a interface oficial do WhatsApp Business passarão a pagar R$ 0,03 por mensagem enviada ao cliente, segundo as informações apresentadas ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Atualmente, existe uma janela de até 24 horas após o contato do consumidor em que determinadas respostas de serviço podem ser enviadas sem cobrança.
Sendo assim, a alteração muda a lógica de custos para companhias que utilizam o aplicativo como um dos principais canais de atendimento. Quanto maior for a quantidade de mensagens enviadas, maior poderá ser a despesa associada ao serviço.
Isso pode atingir principalmente empresas que automatizaram parte do relacionamento com clientes. Bancos, companhias aéreas, plataformas de delivery e outras empresas utilizam o WhatsApp para enviar informações, prestar suporte e realizar comunicações relacionadas a seus serviços.
Bancos e companhias aéreas estão entre os setores afetados
O impacto, porém, não será igual para todas as empresas. Conforme noticiado pelo Poder 360, o próprio Cade solicitou informações a mais de 40 companhias para entender como as novas condições podem alterar operações que dependem do WhatsApp Business.
Entre as empresas consultadas está o Bradesco. O banco informou ao Cade que não conseguiria manter o mesmo nível de interação com os clientes sem a plataforma e destacou especialmente o uso do aplicativo para notificações e comunicações transacionais, incluindo mensagens relacionadas à segurança.
A Latam, por outro lado, afirmou que uma eventual retirada do WhatsApp poderia diminuir a cobertura do atendimento assistido. Para ações de marketing, entretanto, a companhia indicou que possui outros canais capazes de manter sua atuação.
O Banco do Brasil também considera a integração entre inteligência artificial e WhatsApp Business relevante para ampliar o acesso a serviços e melhorar a eficiência operacional. Ao mesmo tempo, a instituição possui outras ferramentas que podem ser utilizadas no relacionamento com os clientes.
A diferença entre os casos mostra que a mudança não significa necessariamente que todas as companhias abandonarão o aplicativo. O nível de dependência varia conforme a quantidade de processos concentrados no WhatsApp e a existência de canais alternativos.
O que muda para quem usa o WhatsApp?
Para o consumidor comum, a alteração não significa que o aplicativo deixará de funcionar ou que haverá uma cobrança para enviar mensagens pessoais. A mudança está relacionada ao WhatsApp Business e aos custos das empresas que utilizam a plataforma oficialmente para se comunicar com seus clientes.
Mesmo assim, existe um possível efeito indireto. Se determinada empresa considerar elevado o custo de manter parte do atendimento pelo WhatsApp, poderá transferir algumas comunicações para aplicativos próprios, SMS, telefone ou outros meios.
A Uber, por exemplo, informou ao Cade que utiliza o WhatsApp para comunicações transacionais, mas também possui alternativas como seu próprio aplicativo, SMS, e-mail e chamadas de voz. A Claro classificou o WhatsApp como um canal complementar para atendimento, relacionamento, suporte, vendas e marketing.
Dessa forma, o impacto sobre o usuário dependerá da estratégia adotada por cada empresa. Uma companhia com infraestrutura própria pode ter mais facilidade para distribuir parte das interações entre diferentes canais, enquanto negócios mais dependentes do WhatsApp podem precisar rever seus sistemas.
Mudança também envolve inteligência artificial
A nova cobrança não é o único ponto em discussão. A Meta também pretende restringir o uso do WhatsApp Business por empresas cujo principal produto seja um assistente de inteligência artificial.
Essa questão já provocou uma investigação do Cade. O órgão abriu o procedimento depois que empresas como Luzia e Zapia contestaram alterações nos termos de uso anunciadas pela Meta. As companhias argumentaram que as novas regras poderiam dificultar a distribuição de serviços de IA concorrentes em uma plataforma de grande alcance no mercado brasileiro.
Em janeiro de 2026, o Cade determinou uma medida preventiva para suspender os novos termos. Em março, o Tribunal do órgão manteve a decisão. Em abril, o Cade também manteve uma multa diária de R$ 250 mil contra Meta e WhatsApp pelo descumprimento da medida preventiva.
A Meta, por sua vez, argumentou que chatbots de inteligência artificial poderiam sobrecarregar uma infraestrutura que não foi projetada originalmente para esse tipo de utilização. A empresa também apontou a existência de outros canais, como sites e aplicativos próprios, para a distribuição desses serviços.
Empresas já começaram a sentir os efeitos das regras
Algumas companhias já interromperam integrações com o WhatsApp após as mudanças de política. A OpenAI encerrou a integração do ChatGPT com o aplicativo em 15 de janeiro de 2026, enquanto a Microsoft deixou de disponibilizar o Copilot pela plataforma depois da alteração das regras.
No caso da Zapia, a empresa relatou ao Cade uma queda significativa de usuários e de engajamento no Brasil depois que deixou de operar pelo WhatsApp Business. Segundo a companhia, os canais alternativos não conseguiram reproduzir o mesmo alcance.
O iFood, por outro lado, utiliza o WhatsApp para pedidos realizados por meio do assistente de inteligência artificial Ailo e também para suporte. Já a Zenvia afirmou que a plataforma é essencial para a comercialização de soluções de IA conversacional voltadas a empresas.
Esse cenário explica por que a alteração anunciada para outubro ganhou importância além de uma simples mudança de preço. O WhatsApp Business funciona como infraestrutura de atendimento para diferentes tipos de negócios, enquanto também serve de canal de distribuição para serviços digitais.
Cade acompanha os efeitos da mudança
A atuação do Cade ainda está em andamento e o órgão continua reunindo informações sobre como as novas regras podem afetar diferentes mercados. Parte dos documentos enviados pelas empresas permanece sob sigilo, principalmente dados relacionados a custos, receitas, volumes de mensagens e impactos operacionais.
Por isso, ainda não é possível dimensionar exatamente quanto a mudança representará em despesas para o conjunto das empresas que utilizam o WhatsApp Business.
O que já está definido, segundo as informações apresentadas ao Cade, é a alteração prevista para 1º de outubro: mensagens enviadas por empresas pela interface oficial passarão a ter cobrança de R$ 0,03 por unidade. Ao mesmo tempo, a disputa envolvendo o acesso de empresas de inteligência artificial ao WhatsApp continua sob análise da autoridade concorrencial.
Para os usuários, a principal consequência poderá aparecer de forma indireta, caso empresas alterem seus canais de atendimento ou comunicação para se adaptar ao novo modelo de custos. A mudança, portanto, está concentrada no ambiente empresarial, mas pode modificar a maneira como algumas marcas conversam com seus clientes pelo aplicativo.





