Tomar um multivitamínico por dia não garante vida mais longa, segundo estudo publicado em 2024 no Jama Network Open e conduzido por pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.
O levantamento acompanhou mais de 390 mil adultos saudáveis ao longo de 20 anos e registrou quase 165 mil mortes entre os participantes.
O risco de morte foi 4% maior entre os participantes que tomavam suplementos diariamente do que entre os que não usavam esses produtos.
Multivitamínico tomado todos os dias pode trazer riscos quando o consumo passa da necessidade
Micronutrientes são essenciais para o funcionamento do corpo, mas dobrar a dose não traz ganho adicional de saúde.
Em pessoas sem carência nutricional, aumentar por conta própria o consumo de vitaminas e minerais pode trazer prejuízo em vez de benefício.
Uma alimentação diversificada fornece fibras, proteínas e compostos bioativos que nenhum comprimido reproduz sozinho.
Os pesquisadores apontam essa combinação como a forma preferencial de obter nutrientes, com uma ressalva: os alimentos oferecem vitamina D em quantidade limitada.
Há situações em que o multivitamínico cumpre uma função específica: deficiência comprovada em exames, necessidade de algum nutriente ou dieta que não consegue suprir determinada demanda do corpo.
Nesses casos, o suplemento funciona como correção pontual, não como reforço geral.
A suplementação em idosos, por exemplo, deve ser avaliada individualmente por um profissional de saúde, que define o tipo de suplemento e a quantidade adequada para cada caso.
Idade, rotina alimentar, doenças pré-existentes, remédios em uso e resultados de exames são os fatores que devem orientar essa escolha, nunca a promessa impressa na embalagem.
As vitaminas A, D, E e K ficam retidas no organismo, e por isso doses altas mantidas por muito tempo podem se acumular e causar toxicidade.
O excesso de vitamina D, por exemplo, eleva o cálcio no sangue e pode levar a náuseas, alterações neurológicas e cálculo renal, enquanto doses elevadas de vitamina E aumentam o risco de hemorragia.
A vitamina C, ao contrário, é eliminada pela urina, mas isso não a torna livre de riscos em qualquer dose: doses excessivas podem comprometer o funcionamento dos rins.
O zinco em excesso também atrapalha a absorção de cobre e pode provocar problemas imunológicos.
Suplementos também interagem com remédios de uso contínuo, reduzindo ou potencializando seus efeitos.
Grupos que exigem atenção redobrada
Crianças, gestantes, lactantes e pessoas com problemas renais, hepáticos ou cardíacos têm maior risco ao usar suplementos sem orientação.
Distúrbios de coagulação e uso contínuo de medicamentos também exigem mais cuidado antes de incluir qualquer vitamina extra na rotina.
Durante a gravidez, o excesso de vitamina A pode prejudicar o desenvolvimento do feto.
Quem tem doença renal precisa monitorar o fósforo e o potássio, minerais que exigem atenção especial nesse quadro.
Para adultos sem nenhuma deficiência diagnosticada, os dados do estudo não sustentam o multivitamínico como caminho para uma vida mais longa.





