Em Portugal, dois ícones da Seleção Brasileira mostraram como a falta de planejamento financeiro pode destruir fortunas acumuladas nos anos de glória.
O jogador Roberto Carlos, pentacampeão mundial e campeão do mundo em 2002, contou que sua conta bancária ficou praticamente zerada depois de enfrentar golpes e conflitos familiares que consumiram quase toda a sua riqueza.
A história do ex-lateral esquerdo ilustra um risco pouco discutido entre atletas de alto nível: o patrimônio conquistado em décadas de carreira pode desaparecer em poucos anos sem orientação especializada.
Roberto Carlos conseguiu se recuperar depois, ao iniciar uma transição profissional antes de pendurar as chuteiras, e o aprendizado, porém, custou caro.
Melhor Lateral Esquerdo do Brasil conta que perdeu 99% do patrimônio no futebol após problemas na carreira
Problemas com empresários e desentendimentos com a família foram os principais responsáveis pelas perdas de Roberto Carlos.
Com a ajuda de um amigo, ele conseguiu reconstruir a vida financeira e hoje transforma aquela experiência em alerta para jogadores mais jovens, que ainda acumulam rendimentos altos sem saber como protegê-los.
No Portugal Football Summit, Roberto Carlos afirmou que enfrentou problemas com empresários e com a família, perdeu toda a sua história e não quer que outros cometam os mesmos erros.
Ele disse que, se tivesse tido acompanhamento especializado, não teria passado por nenhum desses problemas.
A vulnerabilidade de atletas com renda concentrada em poucos anos os torna alvos fáceis para golpistas que exploram a confiança e o desconhecimento de finanças básicas.
Júlio César, que também participou do evento em Portugal, enfrentou situação semelhante.
O ex-goleiro de Inter de Milão e Flamengo foi enganado por um empresário em 2012, que se aproveitou de sua inexperiência com investimentos e de sua confiança para tirar dele recursos significativos.
Ao contrário de Roberto Carlos, que só percebeu o rombo depois de perder tudo, Júlio César se preparou para não repetir essa trajetória.
Quando estava perto de pendurar as luvas, fez cursos e aperfeiçoou o inglês.
Ele também contou que um ex-empresário o enganou em 2012, aproveitando-se de sua confiança e da falta de conhecimento, e destacou a necessidade de acompanhamento completo.
A lição que não deve ser negligenciada
Júlio César ressaltou durante o painel que o acompanhamento profissional após a aposentadoria deve cobrir diferentes áreas da vida dos jogadores.
Para ele, não basta administrar o dinheiro: também é preciso considerar os aspectos emocionais e profissionais e preparar o atleta para a vida longe dos holofotes e dos salários milionários.
Júlio César também defendeu a educação financeira e emocional para administrar o dinheiro conquistado no auge da carreira, quando surgem oportunidades de fechar bons contratos e ganhar muito.
Ele acrescentou que apenas uma minoria consegue viver do dinheiro acumulado no futebol sem precisar trabalhar.
Sem esse preparo, até campeões do mundo correm o risco de perder tudo.





