Pequenas concessões morais podem anestesiar a consciência e fazer o erro repetido parecer normal, alerta o filósofo Mario Sergio Cortella.
Para ele, a ética funciona como um alarme interno que pode ser desligado aos poucos, sem que a pessoa perceba.
Quando o alarme deixa de disparar, o inaceitável passa despercebido e a rotina engole o que deveria causar desconforto.
Cortella nasceu em 1954 e construiu carreira como filósofo, escritor, professor universitário de teologia e palestrante, discutindo a fronteira entre consciência e costume.
Frase do dia por Mario Sergio Cortella: “É necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal”
A frase alerta que pequenas concessões morais, feitas dia após dia, mudam o que uma sociedade considera normal.
Um comportamento desonesto deixa de causar espanto, e uma injustiça passa a ser tratada como parte do jogo.
Essa lógica alcança decisões cotidianas, do ambiente de trabalho às escolhas pessoais, e reduz aos poucos a capacidade de indignação e a disposição para julgar os meios como algo mais que um detalhe diante do resultado.
Para o filósofo, falar em ética sem liberdade não faz sentido. Só se pode cobrar postura moral de quem tem real autonomia para escolher entre uma opção e outra.
Uma pessoa que age sob coação não pode ser julgada da mesma forma que quem age por vontade própria.
O peso da responsabilidade varia conforme o grau de liberdade envolvido.
Por isso, para Cortella, defender a ética também significa proteger as condições que tornam a escolha possível.
Como aplicar esse alerta no dia a dia?
Na prática, o primeiro passo é questionar o que virou rotina.
Cortella costuma dizer que quem nunca duvida também nunca inova, porque a dúvida abre espaço para enxergar aquilo que a repetição escondeu.
Reconhecer um pequeno incômodo antes que ele se torne aceitável evita que a indiferença tome conta das relações e das decisões cotidianas.
Esse cuidado mantém a consciência desperta: perceber cedo o que deveria continuar incomodando ajuda a distinguir o certo do simplesmente costumeiro.





