O mergulhador japonês Yasuo Takamatsu completa 15 anos de buscas no Oceano Pacífico atrás de vestígios de sua esposa, levada pelo tsunami que atingiu o país em 2011.
Já são mais de 760 mergulhos numa rotina que começou dois anos depois da tragédia e segue sem previsão de fim.
O terremoto de magnitude 9.0 que sacudiu o Japão em 11 de março daquele ano provocou ondas que arrasaram cidades inteiras da região de Tohoku.
Das 15.894 mortes confirmadas pelo desastre, 2.519 pessoas nunca foram encontradas, entre elas, a esposa do Mergulhador.
Ele perdeu a esposa no tsunami de 2011 e já mergulhou mais de 760 vezes para encontrá-la
Ela trabalhava numa agência bancária perto da costa no momento em que a água invadiu a cidade.
Antes de perder contato, enviou uma mensagem ao marido perguntando se ele estava bem e dizendo que queria voltar para casa.
Com o telefone mudo e nenhum sinal da mulher, ele passou a rodar hospitais, abrigos temporários e, depois, mortuários montados às pressas na região.
A procura avançou também pelas áreas montanhosas ao redor da cidade, sem nenhum resultado.
Foi só quando essa alternativa se esgotou que os olhos dele se voltaram para o mar.
Um ano após a catástrofe, o celular dela foi localizado, e por ser resistente à água, ainda funcionava: guardava uma mensagem escrita, mas nunca enviada, alertando sobre a chegada de uma onda gigantesca.
Foi esse achado que o levou a se inscrever em um curso de mergulho, dando início às primeiras descidas solitárias nas águas de Onagawa.
A meta era simples: encontrar qualquer sinal dela, fosse uma peça de roupa, um pertence pessoal ou algo mais.
Em depoimentos à imprensa, ele contou que estar debaixo d’água o aproxima da lembrança dela, mesmo sem nenhum indício concreto ter surgido em todo esse tempo.
Ele também já se dispôs a apoiar outras famílias atingidas pela mesma perda, sem nunca abandonar sua própria missão.
Uma dor que virou arte e documentário
Ao cineasta Anderson Wright, diretor do curta “The Diver”, Takamatsu informou que enquanto seu corpo permitir, continuará procurando pela esposa.
Um novo registro em vídeo, divulgado em março de 2026, mostrou o mergulho de número 763.
A história também atravessou fronteiras: em 2014, o pianista francês Sylvain Guinet conheceu o caso por meio de uma reportagem e compôs uma peça em homenagem à mulher desaparecida.
A canção ganhou sua primeira apresentação ao vivo em 2022, num concerto privado no Japão com a presença do próprio marido na plateia.
Passados 15 anos, o tsunami provocou ainda o colapso de três reatores na usina de Fukushima Daiichi e o deslocamento de cerca de 230 mil pessoas.
A busca de Takamatsu segue como um dos símbolos mais duradouros da tragédia.





