Mudanças no estilo de vida conseguem frear o avanço da demência em idosos com alto risco, segundo um pesquisador da Alzheimer’s Association. O resultado muda a forma como se encaram doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, historicamente consideradas irreversíveis.
O programa LatAm-FINGERS mostrou que estratégias sem medicamentos, cp, estímulo cognitivo e vida social preservam a cognição de idosos com risco elevado.
O grupo que seguiu as recomendações mais estruturadas teve ganhos equivalentes a dois ou três anos de saúde cerebral. Em entrevista ao Clarin, Carrillo resumiu o impacto: “Mudar seu estilo de vida não só melhora os riscos individuais à saúde, como também garante de dois a três anos de saúde cerebral.”
Como o programa funcionou nos dois continentes
Os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos: um recebeu orientações gerais para melhorar os hábitos, enquanto o outro seguiu um programa mais rigoroso e estruturado. .
Os resultados sugerem que pequenas mudanças nos hábitos, adaptadas à cultura de cada lar, podem trazer benefícios concretos. A pesquisa envolveu 1.065 idosos de 60 a 77 anos, recrutados em 11 países da América Latina, incluindo o Brasil, com participação de pesquisadores da USP e da UFMG.
As adaptações culturais do programa incluíram aulas de dança com ritmos latinos no lugar de exercícios aeróbicos convencionais e frutas tropicais no lugar de frutas vermelhas.
O grupo do programa intensivo fez exercícios físicos supervisionados quatro vezes por semana, em sessões de cerca de 55 minutos.
O desafio da adesão ao longo do tempo

Manter mudanças de hábito a longo prazo é um obstáculo comum em tratamentos de saúde. Barreiras socioculturais e econômicas tornam a tarefa mais complexa: pessoas criadas em ambientes sem estímulo enfrentam dificuldades estruturais.
Médicos enfrentam dificuldades para comunicar benefícios que não aparecem no curto prazo ou exigem tempo para se manifestar. A intervenção social contínua ajudou a manter as mudanças, assim como o financiamento para acompanhar os participantes.
Em entrevista ao Clarin, Carrillo disse que não há resistência quando se explica a mudança com clareza e se facilita a tarefa para a pessoa, e segundo ele, o acompanhamento faz diferença.
Coração jovem, cérebro preservado
A saúde cardiovascular e a cerebral estão associadas. Mantê-las preserva a cognição de idosos com alto risco de demência: a saúde do coração reduz o risco de mortalidade, enquanto a preservação do cérebro reduz o risco de deterioração cognitiva leve, que frequentemente precede o diagnóstico de demência.
Profissionais de saúde podem usar esses argumentos para mostrar aos pacientes os benefícios das mudanças. Alzheimer e demência vascular produzem efeitos neurodegenerativos por caminhos diferentes.
Na população estudada, Carrillo observou menor risco de Alzheimer, mas maior propensão à demência vascular, resultado que ela relacionou ao tipo de alimentação. Ela classificou o diabetes como uma condição prevenível e citou que, na Argentina, 59,6% dos casos de demência são evitáveis.





