Quem se prepara para provas como o Enem frequentemente reduz as horas de sono na esperança de ganhar tempo para revisar.
Porém, essa estratégia pode prejudicar justamente o que o estudante tenta melhorar: a retenção do conteúdo, o raciocínio e o controle emocional.
Durante o sono profundo, o cérebro consolida a memória, transferindo as informações aprendidas ao longo do dia de uma área temporária, o hipocampo, para o armazenamento duradouro no neocórtex.
Sem esse descanso adequado, esse mecanismo não funciona bem.
Dormir pouco para estudar mais pode ter efeito contrário no aprendizado
Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, publicado na revista Npj Science of Learning, acompanhou estudantes universitários durante um semestre completo e cruzou dados sobre qualidade, duração e regularidade do sono com o desempenho acadêmico.
Os resultados mostraram que esses três fatores explicaram quase 25% da variação nas notas finais.
O estudo também mostrou que dormir bem apenas na noite anterior à prova não teve nenhuma relação com o resultado obtido.
Por isso, tentar compensar semanas de sono inadequado em uma única noite não funciona: o aprendizado se constrói de forma gradual, ao longo dos dias.
Segundo especialistas, a regularidade diária do sono é o que garante que o cérebro consolide o conhecimento necessário.
Falta de sono dispara ansiedade na prova
Pesquisadores de Harvard e da Universidade da Califórnia em Berkeley investigaram como a privação de sono afeta o equilíbrio emocional do estudante.
Usando ressonância magnética, eles descobriram que ficar sem dormir desconecta o córtex pré-frontal, a área responsável pelo controle racional, da amígdala, que processa emoções e estresse.
Sem essa conexão reguladora, a amígdala respondeu a situações tensas com intensidade 60% maior.
Essa desconexão explica por que muitos estudantes bem preparados sofrem com “branco” ou crises de ansiedade ao se depararem com questões difíceis.
O centro da ansiedade no cérebro dispara sem o freio da razão, provocando respostas emocionais desproporcionais ao momento.





