Na semana anterior ao fechamento da montanha-russa do parque Six Flags Magic Mountain, nos Estados Unidos, mais de 100 pessoas procuraram escritórios de advocacia e alegaram ter sofrido lesões cerebrais traumáticas causadas pelo brinquedo nos últimos dois anos.
Anteriormente, o parque havia suspendido temporariamente as operações em julho, quando dois passageiros sofreram hemorragias cerebrais com apenas seis dias de intervalo.
A série de acidentes de julho que acelerou a decisão

Pamela Guillen, de 40 anos, e Naomi Greer-Wilkinson, de 25 anos, foram levadas ao pronto-socorro de Santa Clarita depois de perderem a consciência durante o passeio. As duas precisaram de cirurgias cerebrais de emergência, e uma análise médica apontou as rápidas acelerações e desacelerações do brinquedo como causa das lesões.
Guillen relata que precisou reaprender a falar e a andar após a hospitalização, e segue enfrentando dores de cabeça intensas, confusão mental e convulsões. Greer-Wilkinson permanece em coma, de acordo com informações divulgadas.
Histórico de ferimentos que se estendeu por décadas
As denúncias sobre lesões causadas pela montanha-russa remontam há mais de uma década, mas só se tornaram públicas quando a CNN documentou mais de uma dúzia de casos graves.
A investigação reuniu relatos de hospitalizações e de ao menos duas mortes associadas à atração, antes que o número de novos depoimentos disparasse.
Três ações judiciais foram apresentadas na semana anterior ao fechamento, com passageiros alegando ferimentos potencialmente fatais ocorridos neste ano. A família de Christopher Hawley, de 22 anos, que morreu em decorrência de lesão cerebral traumática horas após andar na X2 há quatro anos, processou a Six Flags e chegou a um acordo preliminar com a empresa.
Características e trajetória da X2
Inaugurada em 2002 com o nome X, a atração precisou ser fechada naquele mesmo ano para reparos relacionados a falhas de projeto. Novos trens mais leves foram instalados em 2007, e a atração reabriu em 2008 com o nome X2.
O brinquedo ficou conhecido mundialmente por seu efeito de “quarta dimensão”, com assentos que giram 360 graus ao redor dos trilhos enquanto o trem atinge velocidades próximas de 130 km/h.
A trajetória contempla uma queda de aproximadamente 61 metros e inclui manobras chamadas de “raven turns”, atraindo entusiastas de montanhas-russas do mundo inteiro por quase duas décadas.
Segurança testada, confiança abalada
Mais de 16 milhões de pessoas andaram na atração ao longo de sua operação, conforme números divulgados pelo próprio parque.
Apesar do fechamento da X2, o Magic Mountain prepara uma nova atração: a Thrill Glider, uma montanha-russa com sistema de trens suspensos semelhante ao de um planador, prevista para abrir no próximo ano.





