Expandir radicalmente a vida humana exige mais do que os avanços da medicina tradicional, segundo o cientista Venki Ramakrishnan, ganhador do Prêmio Nobel de Química em 2009.
Para isso, seria necessário intervir diretamente nos mecanismos biológicos responsáveis pelo envelhecimento do corpo.
O recorde de longevidade humana permanece em 122 anos e 164 dias, estabelecido por Jeanne Calment e não superado há quase três décadas.
Ramakrishnan sustenta que ultrapassar significativamente essa marca demandaria modificar os processos fundamentais de deterioração que ocorrem dentro das células.
Venki Ramakrishnan, vencedor do Prêmio Nobel de Química: “Quando você chega aos 108 anos, há apenas 50% de chance de viver mais um ano”
Os avanços em alimentação, saneamento, vacinas, antibióticos e medicina ampliaram o acesso à vida longa, permitindo que mais pessoas atinjam idades avançadas.
Contudo, o teto máximo da longevidade humana permanece notavelmente estável ao longo dos séculos.
O risco de morte aumenta conforme os anos passam.
Aos 25 anos, a probabilidade anual de morte é de cerca de 0,1%, sobe para aproximadamente 1% aos 60 e chega a 6% aos 80.
Aos 100 anos, atinge cerca de 16%, e já quem completa 108 anos tem 50% de chance de sobreviver mais um ano.
A diferença de expectativa de vida entre ricos e pobres chega a 35 anos em algumas regiões de Nova York.
Ramakrishnan diz que nenhuma lei física impede que humanos vivam 150 ou até 200 anos. O corpo, porém, acumula processos degenerativos que tornam esse cenário improvável.
As células reparam constantemente o DNA danificado, eliminam componentes deteriorados, reciclam proteínas e mantêm as mitocôndrias funcionais, mas esse sistema de manutenção perde eficácia com o tempo.

Caminhos investigados para frear o Envelhecimento
A restrição calórica produziu efeitos em diversas espécies ao interferir em vias metabólicas relacionadas ao envelhecimento e à autofagia, processo pelo qual as células se livram de componentes danificados.
Não existem evidências sólidas, porém, de que reduzir drasticamente a ingestão de alimentos prolongue a vida em humanos.
Medicamentos como a rapamicina atuam sobre a via mTOR e prolongaram a vida de roedores em laboratório, mas os efeitos colaterais imunossupressores dificultam seu uso em pessoas.
A metformina e os agonistas do GLP-1 também são estudados, embora ainda não tenham comprovação suficiente para ser considerados tratamentos que prolonguem a vida de pessoas saudáveis.
Uma linha de pesquisa busca rejuvenescer parcialmente as células por reprogramação.
Os fatores de Yamanaka demonstraram que é possível modificar profundamente a identidade de uma célula, o que abre perspectivas para enfrentar o envelhecimento.
Ramakrishnan também alerta que o público nem sempre consegue distinguir entre promessas exageradas e pesquisas legítimas sobre longevidade.
Bryan Johnson, um americano de 48 anos, já investiu quase 1 bilhão de dólares em fórmulas para tentar se tornar imortal.
O caso exemplifica a busca por vida eterna com investimentos expressivos e sem base científica sólida.





