Uma massa de ferro e níquel surgiu do solo em 1920, quando Jacobus Hermanus Brits arava suas terras perto de Grootfontein, no norte da Namíbia.
A rocha escura, parcialmente enterrada, viria a se tornar a maior massa meteórica intacta já localizada na superfície terrestre.
O meteorito permanece no local onde foi encontrado. Com 60 toneladas, 2,7 metros de comprimento, 2,7 metros de largura e 0,9 metro de espessura, o Hoba se estende como uma laje sobre o terreno namibiano.
Um gigante que nenhum outro meteorito supera
Comparado a outros meteoritos famosos, como El Chaco, na Argentina, Cape York, na Groenlândia, e Bacubirito, no México, o Hoba se destaca por um detalhe raro: chegou inteiro ao solo e assim permanece até hoje.
Nenhum fragmento foi retirado para exposição em museu nem cortado para pesquisa em larga escala. Essa integridade faz do Hoba o maior exemplar já catalogado sem fragmentação.
Enquanto outras peças do tipo foram partidas ou removidas ao longo do tempo, o meteorito namibiano permanece inteiro no local exato da queda.
A classificação do Hoba como ataxita é relevante para o estudo da formação de corpos celestes metálicos.
Esse tipo de meteorito tem alta concentração de níquel, característica que ajuda a entender como se formaram asteroides primitivos do Sistema Solar.
O ferro e o níquel que compõem a massa se formaram centenas de milhões de anos antes de qualquer impacto na Terra.
A chegada ao planeta, porém, é bem mais recente em termos astronômicos: ocorreu há menos de 80.000 anos, segundo estimativas feitas a partir de sua composição.
Durante décadas, visitantes retiraram pedaços do meteorito como lembrança.
Em 1955, o governo da Namíbia declarou a peça monumento nacional para impedir que ela continuasse a perder material com a retirada de fragmentos.
Em 1987, o proprietário da fazenda onde o meteorito foi encontrado doou o terreno e o achado ao Estado namibiano.
A doação transferiu oficialmente ao governo a guarda e a conservação do sítio.
Por que o meteorito nunca saiu do lugar
As 60 toneladas de ferro e níquel são a principal razão de o meteorito permanecer no local do impacto.
Transportá-lo exigiria uma operação de engenharia cara e arriscada, por isso ninguém jamais tentou tirá-lo dali.
Hoje, Grootfontein recebe turistas interessados na descoberta.
Um pequeno centro de visitantes reúne informações sobre a composição do material e sua relevância para o estudo de corpos metálicos vindos do espaço.
Ao redor da massa, foi construído um anfiteatro de pedra que permite observar de perto as dimensões do meteorito.
A disposição não compromete a conservação da peça, e o local se tornou um dos pontos geológicos mais procurados do país africano.





