Nas próximas duas meses, o Oceano Pacífico equatorial deverá atingir temperaturas recordes quando a atual onda de aquecimento alcançar seu auge. O fenômeno climático em curso pode ultrapassar em intensidade os episódios mais extremos observados nos últimos 150 anos.
Centros meteorológicos de todo o mundo têm acompanhado de perto o desenvolvimento desta condição excepcional.
A possibilidade de quebrar recordes históricos elevou o nível de atenção entre pesquisadores e instituições climáticas, que preparam análises e modelos para prever os impactos globais.
Pico esperado entre fim de ano
Novembro e dezembro se consolidam como o período crítico quando o aquecimento deverá alcançar seu pico máximo.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta probabilidade superior a 90% de um evento muito forte durante o fim de 2026 e inverno de 2026/2027 no Hemisfério Norte.
Projeções da Organização Meteorológica Mundial indicam continuidade na intensificação ao longo dos próximos meses. A região Niño 3.4 deverá apresentar anomalias de aproximadamente 3,6°C acima do normal no trimestre de setembro a novembro, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Medições recentes do Research Institute for Climate and Society, vinculado à Universidade de Columbia, mostram índices impressionantes. Em meados de setembro, o índice Niño 3.4 atingiu cerca de 3°C acima da média, enquanto em agosto o valor era de aproximadamente 2,52°C acima do normal.
Essa elevação rápida em poucas semanas demonstra a velocidade do aquecimento no Pacífico. Modelos climáticos analisados pelo instituto, 22 simulações distintas, concordam na manutenção de um evento muito forte até o início de 2027. Com muitos indicando anomalias de 3°C ou superiores justamente quando o pico for atingido.
Reservas de calor profundo alimentam o fenômeno
Abaixo da superfície Oceânica, a situação inspira preocupação adicional entre especialistas. Camadas mais profundas do Pacífico acumulam água significativamente mais quente que o padrão, e esse estoque de energia térmica funciona como combustível para manter o aquecimento em níveis elevados.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica detectou em agosto vastas áreas submarinas com temperaturas que superavam em mais de 10°C os valores normais para aquelas profundidades. Para pesquisadores, esse imenso volume de calor armazenado representa potencial para continuar alimentando o aquecimento superficial nas próximas semanas.
O termo comumente usado não integra a classificação meteorológica oficial de nenhum órgão regulador. Centros de pesquisa e especialistas o empregam informalmente para indicar eventos de intensidade excepcional, muito além dos limites usados para classificar um episódio como forte.
A continuidade esperada do fortalecimento durante a primavera no Hemisfério Sul consolidará a magnitude do fenômeno. Acompanhar a evolução térmica do Pacífico entre agora e o término de 2026 será determinante para confirmar se os registros históricos de 150 anos serão superados.





