É comum encontrar o filtro de barro nas cozinhas brasileiras como aliado no combate a impurezas da água consumida no dia a dia. Partículas e microrganismos ficam retidos graças à combinação de cerâmica porosa e carvão ativado, porém esse efeito só se mantém quando pequenos cuidados de limpeza são respeitados, algo que nem sempre acontece.
Pesquisas internacionais consideram os filtros de barro feitos no Brasil os melhores do mundo. Segundo levantamentos de cientistas norte-americanos divulgados em 2018, o sistema remove chumbo em 95% dos casos e o parasita que causa a criptosporidiose em 99%.
Ainda assim, alguns modelos podem permitir a passagem de elementos nocivos, como flúor e arsênico. Isso mostra que nem todo filtro oferece a mesma proteção.
Como a cerâmica retém bactérias e impurezas
O funcionamento do filtro gira em torno da vela, peça de cerâmica porosa que costuma vir associada a carvão ativado e prata coloidal. Ao passar pelos poros minúsculos da peça, a água se livra de partículas sólidas, enquanto o carvão e a prata coloidal atuam quimicamente para eliminar metais pesados, bactérias e protozoários.
O filtro não elimina vírus, função que, na água tratada pela rede pública, cabe ao cloro já presente. Quando a água não tem origem na rede pública de abastecimento, é preciso tratá-la antes, fervendo-a ou adicionando de 1 a 2 gotas de hipoclorito de sódio por litro, com um intervalo mínimo de 30 minutos até que possa ser consumida.
Um estudo do Instituto Vital Brasil publicado em 2017 provou que essa combinação consegue tornar até água de esgoto potável.
A cada mês ou mês e meio, é preciso higienizar o interior do filtro, vela incluída, com água e uma esponja nova, limpa e macia, evitando sabões ou detergentes, que podem deixar resíduos capazes de alterar o sabor da água.
A abrasão também prejudica o material: esponjas ásperas desgastam a cerâmica e criam fissuras por onde microrganismos passam sem ser filtrados. Dentro do reservatório, forma-se uma fina camada pegajosa chamada filme biológico.
Em pequenas quantidades, ela faz parte do processo natural de filtragem. Quando se acumula em excesso, porém, muda o gosto da água e reduz a eficiência da peça.
Trocas e sinais que parecem problema mas não são
A vela filtrante deve ser substituída a cada seis meses, e essa frequência aumenta se o filtro recebe muita água diariamente. Após trocar a vela, as duas primeiras filtragens precisam ser descartadas porque resíduos do novo elemento alteram o sabor temporariamente.
Umidade visível na parte externa é normal: o material poroso deixa evaporar uma pequena quantidade de água, processo que resfria o conteúdo em até 5 graus Celsius.
Manchas brancas ou acinzentadas também não representam risco, e elas são resultado da eflorescência, fenômeno em que sais minerais atravessam os poros e se depositam na superfície. Não são fungos nem mofo.
Uma vez por semana, limpe a parte externa com pano macio e úmido para manter a aparência.





