Um vídeo gravado pelo britânico Craig Hamilton-Parker, autodeclarado vidente apelidado de “Profeta do Fim do Mundo”, previu a chegada de uma doença capaz de atacar o sistema respiratório em escala global.
Poucos dias depois, em 2 de outubro, a pesquisadora russa Darya Shipilova, de 28 anos, não resistiu a uma pneumonia cuja causa até agora não foi esclarecida.
Não há, segundo as autoridades russas, nenhum elemento que associe o falecimento da pesquisadora ao que foi anunciado pelo vidente britânico.
Quem era Darya Shipilova
A pesquisadora exercia suas funções no Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, situado na Sibéria, e chegou a ser internada em um hospital na cidade vizinha de Shelekhov antes de morrer. Por causa do instituto onde ela trabalhava, cerca de 200 pessoas que tiveram contato com a pesquisadora entraram em isolamento preventivo.
As autoridades russas, porém, negavam ter confirmado peste ou qualquer ligação com o trabalho da funcionária. A Organização Mundial da Saúde avaliou o risco à saúde pública como baixo, considerando as informações disponíveis até o momento.
O alerta do vidente sobre uma doença biológica
Hamilton-Parker disse que dois monges tibetanos apareceram sem aviso em sua casa. Segundo ele, os monges garantiram que o próximo surto seria diferente dos anteriores — mais parecido com uma doença biológica de difícil contenção e espalhamento rápido.
O trecho do vídeo foi batizado de “Aviso de Outra Futura Pandemia“. Para o vidente, a inteligência artificial estaria entre os recursos que a humanidade poderia usar para enfrentar uma crise sanitária como essa, e ele se disse confiante de que a doença, se de fato surgisse, acabaria sendo superada.
Hamilton-Parker já era conhecido por previsões sobre a pandemia de covid-19 e a morte da rainha Elizabeth II, embora nenhuma dessas alegações tivesse comprovação.
Os exames feitos pela Rússia
Pessoas que mantiveram contato com Shipilova passaram por testes laboratoriais diários depois da morte dela. Um boato publicado pelo Daily Star atribuiu o caso ao rompimento acidental de um frasco com a bactéria Yersinia pestis, causadora da peste, mas os órgãos sanitários russos nunca confirmaram essa versão.
Em comunicado de 6 de outubro, o Rospotrebnadzor, órgão regulador de saúde da Rússia, informou que nenhum caso de peste foi identificado entre os contatos da pesquisadora. Dois casos de covid-19 e dois de rinovírus apareceram entre as 200 pessoas monitoradas, sem qualquer outro agente infeccioso perigoso detectado no organismo de Shipilova.
A vice-chefe do distrito de Shelekhov, Elena Sofina, disse que o diagnóstico temido pela população nunca chegou a ser confirmado pelos exames. De acordo com ela, 60% dos moradores colocados em quarentena já haviam recebido alta até aquele momento.
Repercussão internacional do episódio
Para muitos, a quarentena imposta a cerca de 200 pessoas trouxe à memória os primeiros dias da pandemia de covid-19, quando Wuhan, na China, se tornou o epicentro mundial do surto.
Essa semelhança foi apontada pelo canal russo Nezygar, que costuma divulgar bastidores da política do país, ao comparar o cenário vivido em Shelekhov com o episódio chinês.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu apoio à Rússia em 5 de outubro, descrevendo a situação como um “grande problema”.





