Porto Seguro, no extremo sul baiano, enfrenta a expansão do peixe-leão, espécie que ameaça os ecossistemas marinhos e oferece risco a banhistas e pescadores. Originário dos oceanos Índico e Pacífico, o animal teve 966 exemplares capturados em dois meses. Para incentivar a remoção, a Prefeitura paga R$ 10 por exemplar.
Entre agosto e setembro deste ano, pescadores entregaram 442 peixes à Colônia Z-22 de Porto Seguro em agosto e 524 em setembro. Os números abrangem toda a região do Extremo Sul baiano, não apenas o município, porque os pescadores atuam em diferentes pontos da costa.
Espécie é um predador venenoso sem inimigos naturais
O peixe-leão possui espinhos que carregam veneno neurotóxico, capaz de causar dor intensa, náuseas e até convulsões em humanos ao contato. Adulto, o animal pode apresentar até 18 espinhos, o que ameaça mergulhadores, banhistas e pescadores que trabalham nas águas da região.
O peixe-leão é um predador voraz que se alimenta de outras espécies e não é reconhecido como presa por predadores locais, o que desequilibra o ecossistema. A espécie se reproduz em múltiplos ciclos ao longo do ano, produzindo milhares de ovos e larvas e acelerando sua expansão populacional na costa brasileira.
O primeiro registro oficial do peixe-leão no Brasil ocorreu em 2014, no litoral do Rio de Janeiro, mas sua chegada às costas baianas é mais recente. O animal foi identificado pela primeira vez na Bahia em fevereiro de 2025, em Morro de São Paulo, expandindo-se depois para outras localidades.
Ainda não existe explicação definitiva para como os animais cruzaram milhares de quilômetros até o Brasil. Uma das hipóteses é que tenham sido transportados do Caribe, onde também são invasores, pelas correntes marinhas, ao longo de meses ou anos.
Estratégia de contenção e pesquisa científica
A captura incentivada pela Prefeitura busca reduzir a população da espécie e conscientizar pescadores sobre seus impactos ecológicos. Os exemplares em bom estado são encaminhados à Universidade Federal do Sul da Bahia para estudos sobre a invasão e seus efeitos nos ecossistemas dos recifes locais.
Em setembro, o Senac recebeu amostras para pesquisar o aproveitamento gastronômico da espécie.
Em setembro, no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, onde a pesca é proibida, a abordagem combinou monitoramento científico com treinamento de profissionais locais. Dois peixes foram removidos do parque: um pela equipe da universidade e outro por um profissional de operadora de mergulho previamente capacitado.
O peixe-leão não se restringe às águas do município baiano. Registros confirmam a presença da espécie no Farol da Barra e no Porto da Barra, em Salvador, praias densamente frequentadas por turistas e moradores, ampliando o risco a áreas urbanas costeiras.
Além de Salvador, a proliferação foi documentada em vários estados costeiros: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Alagoas. A expansão geográfica exige ação coordenada entre municípios e órgãos ambientais para evitar danos irreversíveis aos ecossistemas marinhos.





