Até 2030, o estado do Ceará deve receber R$ 28,3 bilhões em investimentos de empresas de mineração, ocupando a quarta posição entre os estados brasileiros, atrás apenas de Minas Gerais, Pará e Bahia. A projeção vem do Instituto Brasileiro de Mineração, entidade que reúne empresas responsáveis por 85% da produção mineral nacional.
Esse montante representa 7,1% do total previsto para o setor em todo o País nos próximos anos. A maioria dos aportes cearenses concentra-se em minerais para fertilizantes, segmento aquecido pela dependência brasileira de produtos importados.
Simultaneamente, o Brasil integra uma disputa global pela exploração de elementos críticos, que são lítio, cobalto, níquel e manganês, além de terras raras com propriedades magnéticas, ópticas e elétricas cada vez mais demandadas.
Lítio lidera corrida mineral no Sertão do estado do Nordeste
Solonópole, município localizado no Sertão Central, tornou-se o epicentro dessa busca. A cidade acumula 126 processos ativos envolvendo 56 empresas do Canadá, Austrália, Emirados Árabes e outras nações que prospectam lítio no território. Em 2023, o estado registrou 582 solicitações de pesquisa para esse mineral, crescimento superior a 1.400% comparado ao ano anterior.
A escalada correlaciona-se com mudanças na legislação mineral brasileira. Em 2022, o lítio deixou de ser classificado como substância estratégica, eliminando restrições à exportação de concentrados e abrindo caminho para interessados internacionais. Hoje, é o terceiro mineral com mais pedidos de pesquisa no Ceará, perdendo espaço apenas para outros elementos de igual importância tecnológica.
Além de Solonópole, a Agência Nacional de Mineração identifica outras localidades com potencial mineral significativo. Meruoca apresenta reservas de terras raras ligadas a formações magmáticas, enquanto Santa Quitéria concentra ocorrências de fosfato e urânio. No centro-leste Estadual, a Província Grafítica Ceará Central reúne 39 pontos com depósitos de grafita.
O sul do estado, região de Granjeiro-Cococi, destaca-se pela diversidade: ali foram mapeadas ocorrências de cobre, ouro, manganês, magnesita, barita, caulim e quartzo. Essa distribuição geográfica reflete ciclos de interesse que variam conforme demandas globais e inovações tecnológicas.
Ciclos dinâmicos movem demanda
Os pedidos de exploração mineral no Ceará seguem padrões cíclicos. O cobre protagonizou altas em 2017 e 2022, enquanto 2024 viu quartzito e manganês como principais destaques.
Já em 2026, o minério de ferro chama atenção com crescimento superior a 300% nas solicitações de pesquisa, conforme levantamento realizado com dados da Agência Nacional de Mineração.
Esse fenômeno não é isolado: América Latina e África vivenciam “boom” de mineração internacional, perpetuando o modelo histórico de fornecimento de recursos Naturais iniciado no período colonial.
Pesquisadores apontam que esses minerais sustentam a produção de commodities, mas também geram preocupações com exploração de recursos e proteção ambiental das regiões afetadas.





