Uma gôndola sustentada por 94 balões de hélio cruzou o céu entre o Novo México e o Arizona, em uma recriação da cena que marcou o filme Up: Altas Aventuras. O piloto Jonathan Trappe, especialista nesse tipo de voo, conduziu a travessia.
A travessia levou cerca de oito horas e percorreu mais de 300 km entre os dois estados dos Estados Unidos. Trappe já havia cruzado o Canal da Mancha, em 2010, e sobrevoado os Alpes, em 2011, sempre usando conjuntos de balões como sustentação.
Um desafio dentro de um Festival tradicional

O voo aconteceu durante o Festival Internacional de Balões de Albuquerque, em 3 de outubro, no Novo México.
Batizada de The Fiesta Cluster, a gôndola levou três dias de preparo até ficar pronta. Cerca de 30 pessoas se dividiram entre encher os balões e montar o equipamento, prendendo cada um deles com cordas de comprimentos diferentes para evitar que colidissem durante o trajeto.
Como se controla uma estrutura no ar
Decolar pouco antes das 9h da manhã exigiu de Trappe anos de prática em um tipo de pilotagem pouco convencional. Subir depende de aliviar peso, enquanto descer significa liberar hélio dos balões, às vezes estourando alguns deles de propósito.
Cada manobra precisa ser calculada com cuidado, já que qualquer alteração brusca de peso mexe no equilíbrio de toda a estrutura. Por volta das 13h, o equipamento já tinha percorrido 209 quilômetros e se aproximava de Pie Town, ainda em território do Novo México.
“Adventure is out there!” Jonathan Trappe brought the movie “Up” to life this weekend by taking to the skies in a gondola lifted by 94 giant helium balloons. pic.twitter.com/VFsu8EO3IE
— Eyewitness News (@ABC7NY) 6 de outubro de 2026
A chegada ao Arizona e o pouso
Às 15h18, a gôndola cruzou a fronteira para o Arizona, avançando rumo ao ponto final da jornada. O pouso ocorreu por volta das 17h, próximo ao cruzamento da State Route 260 com a Woolford Road, em Show Low.
A escolha do número 94 e um acidente histórico
Usar exatamente 94 balões não foi coincidência: o número homenageia o físico Jean-Félix Piccard, um dos pioneiros dessa modalidade de voo. Em 1937, ele alcançou mais de 3.000 metros de altitude em um experimento parecido.
A história desse tipo de aventura também guarda um episódio quase trágico. Em 1982, o caminhoneiro Larry Walters, então com 33 anos, sonhava em voar desde a adolescência. Para realizar o desejo, preparou uma cadeira de jardim e a amarrou a 42 balões meteorológicos cheios de hélio, esperando subir apenas cerca de 30 metros.
A corda que mantinha o equipamento preso ao solo rompeu antes do previsto, e ele disparou para uma altitude de aproximadamente 4,8 km. Walters invadiu o espaço aéreo usado por aviões comerciais e a descida terminou sobre fios elétricos de Long Beach, na Califórnia, e provocou falta de energia na região.
Apesar do susto, Walters sobreviveu, e ao The New York Times, ele disse que sonhava havia 20 anos em subir ao céu azul e límpido em um balão meteorológico. Também disse que, se não tivesse feito isso, teria acabado no manicômio, mas que não repetiria a façanha por nada no mundo.





