Dar alguns reais a uma criança no supermercado pode ensinar muito mais do que apenas a fazer uma escolha de compra. Para o bancário Silas Gabriel, essa prática tornou-se uma ferramenta valiosa para que seu filho Rafinha, aos 5 anos, comece a compreender como o dinheiro funciona no dia a dia.
Durante as idas ao mercado, Rafinha recebe R$ 10 e observa os preços enquanto escolhe quais itens levar. Quando descobre que algo custa caro demais, ele próprio decide procurar uma alternativa mais acessível.
Metodologias que funcionam em casa
Em sua residência, Silas usa três cofrinhos para ensinar seus filhos. Para o gasto imediato, para guardar visando ao futuro e aos sonhos, e para ajudar outras pessoas. Dessa forma, a família trabalha tanto a importância de economizar quanto a de compartilhar recursos.
A empreendedora e jornalista Taiana Costa adotou abordagem semelhante com seus filhos Lucas, de 10 anos, e seu irmão, de 7. Ela começou a trabalhar aos 15 anos para reunir dinheiro e pagar sua carteira de motorista aos 18.
Como administrar a mesada funciona na prática
Quando Lucas tinha 9 anos, Taiana criou um sistema em que determinadas atividades geram ganhos extras, enquanto outras situações resultam em descontos. Ao fim do mês, a família calcula quanto o menino conseguiu juntar.
Esse modelo também incentiva o estabelecimento de metas: Lucas poupa para comprar itens mais caros, como um celular ou um videogame, e compreende que realizar desejos maiores exige planejamento prolongado.
Taiana explica sua estratégia com clareza: se o filho ganha R$ 100 em um mês, a sugestão é gastar R$ 90 e guardar R$ 10 para objetivos futuros. Dessa forma, ele internaliza que pequenas economias sucessivas levam a aquisições maiores.
Os obstáculos que os pais enfrentam
Uma pesquisa da Serasa feita em parceria com a Opinion Box, realizada entre 31 de agosto e 15 de setembro de 2026, ouviu 1.066 pais de crianças com até 18 anos. O levantamento revelou que 28% dos entrevistados consideram investimentos o assunto mais difícil de explicar aos filhos.
Dívidas, juros e fraudes financeiras aparecem em seguida, citados por 21% dos pais cada um.
A tecnologia adiciona outra camada de complexidade. Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 83% dos brasileiros concordam que as crianças de hoje não brincam mais nas ruas e preferem celulares ou televisão. Além disso, 82% são contra o acesso a esses dispositivos por menores de 3 anos.
O desafio do consumo digital
Nesse contexto de transformação tecnológica, surge um desafio central: ensinar as crianças a lidar com o consumo em um ambiente cada vez mais digital. 32% dos filhos já realizaram compras não autorizadas em aplicativos, jogos ou plataformas on-line, segundo levantamento da Serasa com pais. Em 60% desses casos, os gastos foram de até R$ 100.






