Acordar cansado, mesmo após oito horas de sono, pode ser sinal de que o descanso não está ocorrendo como deveria, e não de preguiça.
Um neurologista especialista em distúrbios do sono explica que a qualidade importa tanto quanto a quantidade e que três fatores específicos fazem toda a diferença entre um repouso que recupera e um que apenas passa o tempo.
A privação crônica de sono afeta uma parcela considerável da população. Quase 40% das pessoas dormem menos do que o necessário, segundo estudos sobre o tema.
Esse quadro se agrava com a idade, e após os 65 anos, os problemas se intensificam: 15% têm dificuldade para adormecer, 20% enfrentam despertares noturnos e 35% acordam muito cedo pela manhã.
O alerta sobre cair no sono rápido demais

Quando uma pessoa adormece em menos de cinco minutos, pode parecer uma vantagem, mas é justamente o oposto. Essa velocidade excessiva indica que o organismo acumulou falta de descanso e tenta compensar um déficit prolongado.
O normal é que o corpo leve entre 10 e 15 minutos para adormecer, período em que passa por uma transição fisiológica adequada. Reconhecer esse padrão no próprio sono é importante porque ele pode mascarar um problema crônico e aumentar riscos graves à saúde.
A Organização Mundial da Saúde considera os distúrbios do sono uma epidemia global, que afeta entre 40% e 45% da população mundial. No Brasil, cerca de um terço da população sofre de insônia ou de outras condições, como a apneia.
Regularidade: o primeiro pilar do bom sono
Manter horários consistentes de sono é mais importante do que muitas pessoas imaginam. Quem dorme e acorda nos mesmos horários todos os dias, inclusive nos fins de semana, consegue reduzir o risco de morte por qualquer causa, incluindo câncer e doenças cardiovasculares.
Quando alguém dorme em horários diferentes durante a semana e nos fins de semana, o corpo sofre uma desregulação interna que prejudica o repouso. A diferença entre os horários de segunda a sexta-feira e os do sábado e domingo confunde os ritmos naturais do corpo e aumenta o risco de depressão.
Estudos que analisaram o tecido muscular de pessoas que dormiram poucas horas revelaram inflamação generalizada e danos celulares, sinais visíveis de que o organismo está sob desgaste contínuo.
Qualidade do sono: como medir e por que importa
O segundo fator crítico é quanto do tempo na cama é efetivamente dedicado ao sono profundo. O ideal é dormir durante 85% ou mais do tempo deitado. Quanto maior essa proporção, melhor o descanso, e pessoas que ficam abaixo desse patamar correm risco de dobrar a probabilidade de desenvolver demência no futuro.
Cerca de 12% dos casos de demência nos Estados Unidos podem estar associados a distúrbios do sono, conforme pesquisas na área.
Medir a qualidade do sono é mais importante que contar apenas as horas. Alguém pode passar oito horas na cama, mas acordar várias vezes e permanecer acordado durante parte desse período. Nesse caso, obtém apenas cinco ou seis horas de sono real.
Quando buscar ajuda profissional
Problemas para dormir podem estar relacionados a fatores genéticos, transtornos de humor, questões emocionais e estresse. Esses fatores exigem avaliação profissional, e a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados tem debatido políticas públicas para oferecer tratamento adequado de distúrbios do sono no Sistema Único de Saúde.
Se o cansaço persistir apesar de noites longas, converse com um médico especialista em sono para identificar o que está ocorrendo, ajustar hábitos ou buscar uma intervenção específica.





