Uma vila na República de Sakha, na Rússia, reúne menos de 1 mil moradores dispostos a enfrentar temperaturas que já chegaram a -71,2ºC. Em Oymyakon, o inverno domina por nove meses seguidos, e o sol aparece por apenas três horas ao longo do dia.
A geografia local explica boa parte do fenômeno: montanhas em formato de U retêm o ar frio, mais denso, dentro do vale e impedem a dispersão do calor. O resultado é um clima extremo que atrai curiosos do mundo todo em busca do registro histórico da região.
O recorde que marcou a história da vila
O índice de -71,2ºC foi registrado em janeiro de 1924 e segue como referência do extremo frio suportado pela população. Um marco com o índice atrai visitantes à cidade para tirar fotos.
A escassez de luz solar, somada aos meses de frio ininterrupto, reduz a produção natural de vitamina D entre os moradores. Ainda assim, a rotina segue adaptada a condições que, em quase qualquer outro lugar do planeta, tornariam a vida inviável.
Roupas em várias camadas e botas de pele de rena ou alce são item obrigatório para qualquer saída de casa. As aulas escolares fecham quando a temperatura chega a -52ºC, alterando a rotina das famílias.
Os veículos exigem cuidado redobrado, precisam ficar com o motor ligado o tempo todo quando estacionados ao ar livre, sob risco de congelar completamente.
Uma capa de lã cobre o capô e o motor dos carros, reforçada por equipamentos elétricos instalados sob a carroceria. Esse cuidado só é dispensado dentro de garagens aquecidas, raras na vila.
As residências de madeira contam com sistemas de aquecimento central, responsáveis por manter o ambiente interno habitável mesmo nos dias mais gelados. Itens simples do dia a dia, porém, exigem atenção redobrada: o papel higiênico pode congelar se ficar exposto ao ar externo.
O solo permanentemente congelado impede qualquer tipo de plantio, o que faz de peixe e carne a base da alimentação local. Fontes termais naturais garantem água quente à população e evitam o rompimento das tubulações pelo gelo.
Uma corrida que desafia o termômetro
A Maratona do Polo do Frio – Oymyakon reúne atletas corajosos o bastante para enfrentar até -50ºC durante a prova. A disputa começou em 2014, mas só ganhou caráter oficial a partir de 2019.
Máscaras térmicas, roupas de alta tecnologia em múltiplas camadas, luvas grossas e palmilhas aquecidas compõem o equipamento de quem decide participar. Bebidas quentes e petiscos térmicos ajudam na hidratação ao longo do percurso, que varia entre 5 km e 50 km conforme a categoria.
A próxima edição está marcada para os dias 7 a 9 de janeiro de 2027, com inscrições já abertas para quem topar o desafio no ponto mais gelado do planeta.





