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Sinal encontrado em Marte deve ajudar a esclarecer se já existiu vida no planeta vermelho

Por Ana Anjos
16/10/2026
Sinal encontrado marte esclarecer existiu

Foto: WikiImages/Pixabay

Uma amostra de rocha recolhida pelo rover Perseverance, da Nasa, pode ajudar a esclarecer se houve vida microbiana em Marte no passado. O material, chamado de Sapphire Canyon, traz um padrão de pequenas manchas que lembram a pelagem de um leopardo.

O material veio da Cheyava Falls, uma rocha situada na região de Neretva Vallis, dentro da Cratera Jezero, de onde o rover o coletou em julho de 2024. Há mais de 3 bilhões de anos, o local era percorrido por rios que alimentavam um lago hoje desaparecido, o que faz da área um ponto estratégico na procura por vestígios de vida antiga.

Por que a rocha desperta interesse

Perguntas e respostas
P
O que é a amostra chamada Sapphire Canyon e de onde veio?
R
É uma amostra de rocha recolhida pelo rover Perseverance, proveniente da Cheyava Falls, uma rocha situada na região de Neretva Vallis, dentro da Cratera Jezero; o rover a coletou em julho de 2024.
P
Por que a Sapphire Canyon interessa aos pesquisadores?
R
Porque traz um padrão de pequenas manchas que lembra pelagem de leopardo e sua aparência é semelhante a padrões em sedimentos terrestres que podem resultar de reações químicas ligadas à atividade de microrganismos; além disso, contém minerais e compostos associados a reações que ocorrem na presença de matéria orgânica.
P
As características da rocha provam que houve vida microbiana em Marte?
R
Não; não é possível descartar explicações puramente químicas ou geológicas sem organismos, e determinar se as características têm origem biológica exige análises mais detalhadas que os instrumentos do rover não podem fazer.
P
Por que é necessário trazer as amostras de Marte para a Terra?
R
Porque os instrumentos do Perseverance não foram projetados para realizar todas as análises necessárias para determinar origem biológica dos sinais, e pesquisadores precisam de equipamentos mais sofisticados em laboratórios terrestres para tentar chegar a uma resposta.
P
O retorno das amostras à Terra já está garantido?
R
Não; o projeto Mars Sample Return enfrentou aumento de custos e dificuldades técnicas, com estimativas de até US$ 11 bilhões e retorno previsto por volta de 2040, e a proposta orçamentária da Nasa para 2026 indicou o encerramento do programa, embora a agência estude alternativas e a China desenvolva missão própria para coletar material de Marte em outra região.

As manchas da Sapphire Canyon intrigam os pesquisadores porque sua aparência lembra padrões que, quando encontrados em sedimentos terrestres, podem resultar de reações químicas ligadas à atividade de microrganismos. Por isso, cientistas classificam o material como uma potencial bioassinatura.

A rocha contém minerais e compostos associados a reações que ocorrem na presença de matéria orgânica, reforçando seu interesse científico. Não é possível descartar que essas características venham de organismos vivos, já que elas também podem resultar apenas de reações químicas ou geológicas sem nenhum organismo envolvido. 

O desafio de confirmar a descoberta

Foto: Nasa/Divulgação

O Perseverance possui instrumentos capazes de estudar a composição das rochas e identificar materiais promissores. Eles não foram projetados para realizar todas as análises necessárias para determinar se os sinais têm origem biológica ou apenas geológica. 

Para chegar a uma resposta conclusiva, pesquisadores precisam analisar a Sapphire Canyon em laboratórios terrestres com equipamentos mais sofisticados. Mesmo com análises mais avançadas realizadas na Terra, a resposta pode não ser simples. 

Processos geológicos e químicos puros conseguem produzir características semelhantes àquelas associadas à atividade biológica, o que significa que até estudos laboratoriais aprofundados podem deixar questões em aberto.

Caminho para respostas definitivas

Desde fevereiro de 2021, quando pousou na Cratera Jezero, o Perseverance vem acumulando amostras de rocha, poeira e atmosfera marciana em dezenas de tubos especiais. A missão foi planejada para investigar uma região que abrigou água líquida bilhões de anos atrás.

A Nasa previa buscar esse material com o Mars Sample Return, iniciativa criada junto à Agência Espacial Europeia para trazer as amostras marcianas à Terra. O projeto, porém, enfrentou aumento significativo de custos e dificuldades técnicas, com estimativas chegando a US$ 11 bilhões e retorno previsto apenas para por volta de 2040.

A proposta orçamentária da Nasa para 2026 indicou o encerramento do programa diante da inviabilidade financeira. A agência, porém, continua estudando alternativas para recuperar as amostras, incluindo possíveis contribuições comerciais e internacionais. 

Enquanto isso, a China desenvolve a missão Tianwen-3, que visa coletar material de Marte e transportá-lo para laboratórios terrestres, com lançamento previsto para 2028. Entretanto, explorará uma região diferente da Cratera Jezero, o que significa que suas amostras não permitirão determinar diretamente a origem das características encontradas na Cheyava Falls.

Se existem moléculas orgânicas em várias rochas de Marte, por que ainda não confirmamos vida?

O instrumento Sherloc, do Perseverance, detectou sinais de moléculas orgânicas em quase todas as rochas coletadas na Cratera Jezero. Elas são componentes básicos da vida como a conhecemos e podem se formar por processos geológicos sem relação com qualquer atividade biológica, por exemplo, em reações químicas entre minerais e compostos que ocorrem naturalmente.

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Foto: WikiImages/Pixabay

Os pesquisadores indicam que processos não biológicos continuam sendo a explicação mais provável para muitos dos sinais observados até agora.

É necessário encontrar uma combinação específica de evidências, como padrões de minerais, ausência de explicações químicas alternativas e outras características que deixem claro que apenas organismos vivos poderiam tê-las produzido.

A rocha Sapphire Canyon é considerada especial justamente porque reúne uma combinação mais convincente desses indicadores, embora ainda requeira confirmação por análises em laboratório.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Ana Anjos

Ana Anjos

Jornalista paraibana, com coração pernambucano, fazendo o que ama e contando histórias que importam.

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